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Operados escrevem o seu relato e dão sua opinião a respeito da cirurgia. Depoimentos completos e  com fotos de antes e depois. Nem todas as cirurgias são tranqüilas. Confira todos os depoimentos.

 

TEXTOS INTERESSANTES RELACIONADOS À OBESIDADE, SAÚDE E GASTROPLASTIA


 
Beribéri: um risco para quem opera o estômago
Voltar a engordar após a cirurgia: verdade ou mito?
Complicações tardias provenientes da Gastroplastia. Tema: Vômitos.
A importância do tratamento psicológico para o tratamento da obesidade mórbida
Cirurgia da obesidade como última solução
Entrevista com Raphael Capella
Preconceito Velado
Cientistas começam a desconfiar de que fast food vicie
Gordinhos declaram guerra contra a obesidade
Sistema público de saúde poderá ter sobrecarga de doenças relacionadas à obesidade
Critérios para o IMC podem mudar
O mundo adere à Gastroplastia
Obesos pobres não têm onde operar
Como vencer a epidemia da obesidade
Pobreza engorda
RJ ganha programa municipal para o acesso à cirurgia de redução do estômago
Abaixo o carboidrato
Vítimas de obesidade mórbida perdem 40% do peso com cirurgia que diminui o estômago
Hospital começa atendimento em ambulatório em fevereiro pelo SUS

 

 

 

 

 

Preconceito Velado

A discriminação contra os gordinhos no mercado de trabalho é bastante comum, mas, surpreendentemente, pouquíssimo comentada. Diversos estudos mostram que as pessoas com excesso de peso são percebidas como desleixadas, irresponsáveis, preguiçosas e descontroladas. E, por isso, em geral têm mais dificuldade de conseguir emprego e de ascender profissionalmente. De acordo com pesquisa do grupo Catho, 73% dos executivos têm alguma objeção a contratar gordinhos. “Infelizmente, na hora da contratação, a primeira impressão é a que fica”, acredita Robert Wong, diretor-geral da seção brasileira da consultoria de recursos humanos Korn/Ferry.

A secretária gaúcha Ana Maria Dimer sentiu na pele esse problema. Durante um período que classifica como o mais estressante de sua vida, ela engordou quase 30 quilos. Resultado: passou dois anos sem conseguir emprego. “Eu nunca havia tido dificuldade de conseguir trabalho. E eu possuia ótimas referências”, reclama. Certa vez, quando Ana Maria buscava uma vaga de secretária, a entrevistadora disse com todas as letras que o motivo da recusa era o excesso de peso. Hoje, está com 18 quilos a menos e empregada há quatro anos.

Além da dificuldade de colocação, o excesso de peso pode afetar o salário. Segundo o endocrinologista Alfredo Halpern, existe um estudo nos EUA mostrando que, quando a pessoa tem excesso de peso, cada quilo a mais significa US$ 1 mil a menos no contracheque por ano. Outra pesquisa da universidade americana de Cornell revelou que mulheres obesas ganham 7% menos do que as outras.

(Fonte: Revista Amanhã)

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Cientistas começam a desconfiar de que fast food vicie
Reuters

LONDRES - Uma dieta estável de hambúrgueres, batatas fritas e outros alimentos ricos em gordura e altamente calóricos podem não apenas acumular quilos. Alguns cientistas estão questionando se eles não podem ser também capazes de viciar.

Pesquisadores que vêm testando os efeitos biológicos da chamada fast food estão descobrindo que esse tipo de alimento pode desencadear mudanças hormonais no organismo, que tornariam mais difícil controlar o ato de comer.

"Descobertas novas e potencialmente explosivas sobre os efeitos biológicos da comida rápida sugerem que comer a ponto de ficar obeso não é simplesmente falta de controle", diz a edição desta semana da revista "New Scientist", que dedica a capa ao assunto.

Este tipo de alimentação pode fornecer quase que a quantidade diária recomendada de calorias e gorduras em uma única refeição. À medida que as pessoas ganham peso, tornam-se mais resistentes ao hormônio leptina, que está fortemente ligado ao peso e ao apetite, e ao peptídeo cerebral galanina, que estimula a alimentação.

A leptina libera sinais a áreas do cérebro que coordenam o comportamento diante da comida, mas, enquanto ganham peso, as pessoas tornam-se mais tolerantes aos efeitos do hormônio.

"O cérebro delas perde a habilidade de responder a esses hormônios, enquanto a gordura corporal aumenta", disse à revista o endocrinologista Michael Schwatz, da Universidade de Washington, em Seattle.

Estudos com animais realizados por Sarah Leibowitz, da Universidade Rockefeller, em Nova York, também mostraram que ratos jovens alimentados com uma dieta rica em gordura ficavam obesos cedo quando adultos.

Os pesquisadores estão tentando descobrir se o prazer em comer alimentos ricos em gordura e açúcar causa mudanças no cérebro associadas com o vício em drogas.

"Alimentos muito saborosos e estímulos sexuais muito potentes são os únicos estímulos capazes de ativar o sistema de produção de dopamina com potência similar à das drogas que viciam", disse o psicólogo, John Hoebel, da Universidade de Princeton, em Nova Jersey.

Segundo a "New Scientist", porém, outros cientistas dizem que não há prova conclusiva de que alimentos ricos em gordura e açúcar viciem.

"Considerando a pobreza de indícios de que a comida rápida vicie, acho que está sobre os que defendem esse argumento o fardo de fornecer provas disso", disse Michael Jacobson, do Centro para Ciência de Interesse Público, em Washington.

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Gordinhos declaram guerra contra a obesidade
Paulo Ricardo Moreira

Dois pesos pesados da televisão declararam guerra à obesidade. Cansados de fazer dietas e tratamentos para emagrecer, Leonor Corrêa, apresentadora do "A casa é sua", na Rede TV!, e João Gordo, do "Gordo a go go", na MTV, decidiram se submeter a uma cirurgia de redução do estômago. Gordo já operou e está em casa se recuperando. A operação de Leonor está marcada para o dia 28, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

- Depois que minha filha nasceu, comecei a me preocupar mais com a minha saúde. Nenhum obeso gosta de ser assim. Quero ter agilidade para poder correr e brincar com ela - explica a apresentadora, mãe de Júlia, de 1 ano e oito meses.

Pesando 172kg, João Gordo foi operado dia 30 de janeiro, na Santa Casa de São Paulo. Passa bem e está em casa sob os cuidados da mulher, Viviane. A assessoria da explica que o objetivo do apresentador é recuperar a saúde perfeita. Antes da cirurgia, o roqueiro estava fazendo uma dieta de 600 calorias, que incluía filé de frango, salada e frutas.

Ano passado, Gordo teve uma flebite (inflamação nas veias). Em 1999, ele já sofrera uma crise respiratória que o deixou 20 dias internado num CTI. De férias, o roqueiro só voltará às gravações no início de março. Segundo a assessoria da emissora, seu programa ganhará um novo cenário com platéia e terá um DJ e uma banda. Só não está confirmado ainda se o programa "Piores clipes" vai continuar no ar.

Durante a gravidez, Leonor Corrêa, que pesa 125kg, teve diabete estacional e precisou se medicar com insulina. Ela lembra que seu pai e seu avô eram diabéticos e, por isso, tem tendência à doença. O problema na gestação serviu de alerta para que ela prestasse mais atenção à saúde. A apresentadora, de 40 anos, convive com a obesidade desde os 8. Após a cirurgia, Leonor deverá perder, só no primeiro mês, cerca de 20 quilos:

- Acho que deve sofrer mais quem é magro e fica gordo. Mas eu sempre fui obesa. A partir de agora quero viver bem.

Para alertar as pessoas sobre o problema da obesidade, Leonor fez questão de anunciar no programa que faria a cirurgia. Ela conta que recebeu o apoio de muitos telespectadores através de e-mails.

- Vou fazer uma videolaparoscopia. São seis furinhos que abrem na barriga. A recuperação é rápida. Em dois dias volto para a casa - conta Leonor. - É uma cirurgia definitiva. A média de perda de peso em um ano é de 40% do seu total.

A videolaparoscopia é uma técnica que consiste numa incisão de dois centímetros na região umbilical do paciente, onde é introduzida uma microcâmera chamada de ótica. Baseados em imagens enviadas pela ótica a um monitor instalado na sala de operações, os médicos fazem a cirurgia, que é indicada para pacientes com índice de massa corporal acima de 40. Das três técnicas existentes, a mais recomendada é a que combina a confecção de um pequeno reservatório gástrico, a colocação de um anel de silicone e um desvio do caminho dos alimentos, que permite absorção parcial dos nutrientes.

O anel tem duas funções: diminuir o volume útil do estômago e restringir a passagem de alimento. Deste modo, a pessoa vai ficar saciada mais rapidamente e mesmo que queira comer muito não vai conseguir, vai vomitar.

No primeiro mês, Leonor e Gordo só poderão ingerir líquido. A partir do segundo, começarão a se adaptar a alimentos pastosos. Depois, vão poder comer o que quiser, mas vão precisar mastigar mais os alimentos e ingerir menos quantidade do que hoje por causa do estômago reduzido.

O "A casa é sua" irá ao ar gravado enquanto Leonor estiver se recuperando. Ela vai deixar programas prontos para a semana inteira do carnaval. Depois de passar por uma fase de adaptação, a apresentadora acredita que a atração encontrou um equilíbrio entre a fofoca e a informação:

- O programa está mais com a minha cara, há mais espaço para o jornalismo.

Leonor tem contrato com a Rede TV! até abril de 2004. No momento, ela não quer pensar em ter outro programa, porque está determinada a recuperar sua saúde, mas...

- Quem sabe com 50 kg a menos não vou mudar, não vou querer um programa de esportes? - brinca ela.

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No Brasil: 70 milhões acima do peso
Sistema público de saúde poderá ter sobrecarga de doenças relacionadas à obesidade
Marisa Folgato

No país em que o principal projeto do governo federal é o Fome Zero, para atender 46 milhões de pessoas que mal têm o que comer, há pelo menos 70 milhões de brasileiros (40% da população) acima do peso. Um problema que atinge todas as classes e idades. E projeta um futuro preocupante: a sobrecarga do sistema público de saúde com o atendimento das doenças decorrentes da obesidade, como diabete e hipertensão. A obesidade causa, por ano, cerca de 80 mil mortes no País - são 300 mil nos EUA.

"Esse quadro deve se agravar nos próximos anos por causa do crescimento rápido dos casos entre crianças e adolescentes", alerta a coordenadora do Ambulatório de Obesidade Infantil do Hospital das Clínicas, Sandra Mara Villares. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), enquanto nos EUA, nessa faixa de idade, ela aumentou em 66% em duas décadas, no Brasil, subiu 240%.

"O aumento é decorrente principalmente da mudança nos hábitos alimentares, com o consumo de alimentos cada vez mais ricos em gordura, e falta de exercício", diz Sandra, que é vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso).

"O Brasil vai ser muito diferente em 15 ou 20 anos, quando as crianças e os adolescentes obesos de hoje estiverem adultos", diz a médica. "Eles demonstram uma tendência a desenvolver diabete do tipo 2 e doenças cardiovasculares. Não vai haver INSS que agüente a demanda." Apesar da gravidade da situação, até agora, um mês após a posse, o Ministério da Saúde não tem coordenador para a área de nutrição nem definiu projetos para o setor.

Típico - Arroz, feijão, bife, salada e um cafezinho para arrematar. Refrigerante, só no fim de semana, costumavam determinar os pais. De acordo com a vice-presidente do Conselho Regional de Nutricionistas, Vera Lúcia Barreto Belo, essa tradição brasileira andava bem equilibrada em termos de nutrição até que, nas últimas décadas, outros ingredientes, como fast-food, salgadinhos, sorvetes, massas e muita fritura, começaram a ganhar cada vez mais espaço na dieta nacional. Resultado: a mudança de hábitos, aliada à falta de exercício, acabou por inserir os brasileiros na chamada "globesidade", como a Opas se refere ao fenômeno do excesso de peso que está assolando o mundo.

Apesar de os dados oficiais indicarem (com base em estudo feito no Sudeste e Nordeste em 1997) que 40% da população está acima do peso, já há especialistas que trabalham com 45%.

"Não como legumes, frutas ou verduras. Meu negócio é lanche, pizza, McDonald's e muita fritura", confessa a professora Natália dos Santos Alexandre, de 26 anos. Aliados à gravidez da primeira filha, há oito anos, esses hábitos deixaram Natália com 142,6 quilos distribuídos por 1,76 metro de altura. Seu índice de massa corporal (IMC) - peso dividido pela altura ao quadrado -, padrão para avaliar o grau de obesidade, é 46, considerado obesidade mórbida. Acima de 25 é sobrepeso.

Apesar disso, está anêmica. "Fiz diversos regimes, mas enjoava", diz ela, candidata a cirurgia de redução do estômago desde 1999. Enquanto espera, faz musculação, após anos sem atividade física.

O professor de endocrinologia da Faculdade de Medicina da USP Geraldo Medeiros, que presidiu o 9.º Congresso Mundial de Obesidade, no Brasil em 2002, ressalta que a obesidade é resultado da alimentação inadequada e falta de exercício "sobre uma base genética". Em 2001, ele visitou 27 vilarejos de 12 Estados. "Analisamos alunos de 7 a 14 anos de 2.400 escolas e havia cerca de 1% de desnutridos, mas 16% das meninas eram obesas e 7% dos garotos também."
    
Teresa Loturco de Moraes, de 56 anos de 122,8 kg, vem de Jundiaí tratar-se no HC: problemas cardíacos, hipoglicemia e hipertensão Natália dos Santos: "Não como legumes, frutas ou verduras. Meu negócio é lanche, pizza, McDonald's e muita fritura" Elena Rosa Fria, de 34 anos, pela 169,8 quilos: dez anos sem sair de casa com depressão queixas de discriminação no trabalho

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Critérios para o IMC podem mudar

O Índice de Massa Corporal (IMC), utilizado internacionalmente para saber se uma pessoa está com o peso ideal, pode passar por uma modificação para os asiáticos. Cientistas ingleses argumentam que o índice de obesidade deva cair de 30 para 24 pontos ao povo asiático. O IMC é calculado com a divisão entre o peso corporal e a altura multiplicada por dois.
Cientistas argumentam que os sinais de pressão alta, excesso de colesterol e diabetes aparecem para os asiáticos, com um índice de 24 pontos, enquanto com os ocidentais aconteceriam com uma base de 30 pontos.

Estudiosos dizem ainda que o IMC utiliza parâmetros ocidentais, que precisam ser adaptados para o mundo oriental.

Caso a Organização Mundial de Saúde reveja o IMC, o número de pessoas consideradas acima do peso aumentará em meio bilhão de pessoas, alcançando 1,7 bilhão de cidadãos no mundo todo.

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O mundo adere à Gastroplastia

Uma vez por mês, cerca de 300 pessoas lotam o auditório do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Têm em comum uma enorme quantidade de quilos a mais e um sonho que até pouco tempo atrás pareceria impossível: perder peso radicalmente através da cirurgia de redução de estômago. Trazida para o Brasil há mais de uma década, a operação só começou a se difundir nos últimos anos. Ela é feita de forma a reduzir a capacidade do estômago, diminuindo tanto a ingestão quanto a absorção dos alimentos pelo organismo. Dependendo da técnica utilizada, pode provocar perda de até 40% do peso em um ano. Depois de operado, o paciente volta a comer normalmente - mas aí a palavra normal passa a ser empregada do ponto de vista de quem tem um estômago minimalista, uma palidíssima sombra de seu passado de glutoneria. Para se ter uma idéia, a técnica conhecida como Fobi-Capella, a mais utilizada no Brasil, reduz o estômago de sua capacidade normal de 1,5 litro para meros 20 mililitros, o equivalente a meia xícara de café (veja quadro). Esse pedacinho é separado do resto, grampeado e religado ao intestino por um anel, que ainda por cima vai dificultar a passagem da comida. Resultado: a ingestão de alimentos é reduzida na marra; quem não respeita o limite e come a mais vomita. Outra técnica bastante usada, a Scopinaro, além de reduzir o tamanho do estômago (para cerca de um quarto do normal), também corta radicalmente o caminho da absorção da comida pelo organismo: ela só encontrará os sucos digestivos na etapa final. O alimento não absorvido acaba eliminado nas fezes, o que provoca inevitáveis diarréias. Como se vê, os sacrifícios de uma vida praticamente sem comida são enormes, em especial para quem estava habituado a se fartar sem limites. Pergunte-se, porém, a um operado se valeu a pena e a resposta quase unânime é positiva.

Antes que gordos, gordinhos e magros com pneuzinhos extras se animem com a chance de emagrecer sem regime, o aviso: só se operam obesos mórbidos, aqueles cujo índice de massa corporal (medido pela divisão do peso pela altura ao quadrado) é maior que 40 ou aqueles com índice acima de 35 se associado a doenças (como diabetes e hipertensão). Para os médicos, apenas os riscos decorrentes do excesso de gordura justificam a operação. "Não tem cabimento submeter-se às conseqüências de uma mudança tão grande por razões puramente estéticas. As cirurgias não têm por objetivo trazer felicidade, e sim tratar doenças", adverte o cirurgião Arthur Garrido Junior, um dos maiores especialistas do país. Como quase toda cirurgia, nessa também há risco de morte (uma ocorrência em cada 200 casos) e de complicações (cinco em cada 100), sendo a obstrução do intestino uma das mais comuns. "Só vale a pena operar obesos mórbidos porque eles correm mais risco ainda se continuarem como estão", explica o cirurgião Carlos Haruo Arasaki, professor assistente de gastroenterologia cirúrgica da Universidade Federal de São Paulo. Garrido calcula que já foram feitas no Brasil cerca de 12.000 cirurgias de redução do estômago - 5.000 só pela sua equipe, que hoje opera uma média de cinco pacientes por dia. O número de cirurgiões, 140 há dois anos, saltou para 500. Ainda é pouco para atender o cerca de 1 milhão de obesos mórbidos do país. Nos Estados Unidos, onde o universo de obesos é ainda mais alarmante, são feitas 80.000 cirurgias por ano. O custo é alto - de 15.000 a 35.000 reais -, mas costuma ser coberto tanto pelos seguros particulares quanto pela rede pública. Nesta, exige-se paciência. No Hospital das Clínicas em São Paulo, a fila para a cirurgia está batendo nos dez anos de espera.

O dentista paulistano Milton Meszberg, 30 anos, fez a operação em dezembro de 2000 e virou metade do que era: perdeu 87 dos seus 160 quilos. O período mais difícil, lembra, foi o primeiro mês, quando os pacientes só podem se alimentar de líquidos (sucos, sopas, iogurtes). "Tinha muita náusea. Parecia que eu estava grávido", brinca. Meszberg é um operado-modelo, que mudou seus costumes, faz musculação e natação e tem uma alimentação mais equilibrada. Igualmente disciplinada é a paulistana Denise Ashcár, 34 anos, operadora comercial de uma financeira, que se submeteu à cirurgia em agosto de 2001, pesando 101 quilos, e hoje está com 58. "Meu pai era obeso mórbido, cardíaco, diabético e hipertenso. Aos 45 anos, teve um infarto fulminante e faleceu. Eu sabia que ia acabar chegando ao mesmo ponto", diz. Sobre sua vida com estômago muito menor, garante: "Como de tudo. Só tenho de me preocupar em mastigar bem". Aliás, quem não segue essa recomendação corre o risco de ficar entalado, literalmente, pois só uma endoscopia o livrará do pedaço de queijo ou carne engolido com afoiteza. Do mesmo jeito que no regime convencional, muito comilão operado, passado um tempo, volta a flertar com a comilança. A diferença é que quem perdeu peso em dieta engorda de novo. Quem foi operado não - este sofre e passa mal. O excesso de comida volta, na forma de vômito, e alguns alimentos não caem bem, provocando o chamado dumping (sudorese, taquicardia, sensação de desmaio). Os maiores vilões costumam ser os doces muito concentrados em açúcar, as carnes vermelhas e o arroz. "Adorava churrasco. Hoje nem vou, porque não vale a pena, é muito indigesto. Doce, se como um pedaço a mais, me enjoa, tenho vontade de colocar para fora", conta a funcionária pública Marisa Vacari de Souza, operada em dezembro de 2001, que agora pesa 97 quilos, 59 a menos. A tentação, porém, permanece e acaba acontecendo uma troca de informações sobre modos de burlar a vida sem comida. Comer e deitar, por exemplo, atenua o mal-estar. Qualquer um que tenha optado pela técnica da banda gástrica (que "amarra" o estômago, formando uma câmara pequena, de 20 mililitros, de onde o alimento passa para o outro lado por um orifício de 1,2 centímetro) descobre, cedo ou tarde, que uma lata de leite condensado passa tranqüilamente pelo anel. Idem as bebidas alcoólicas, que são muito calóricas. "Sei de pacientes que, depois de operados, chupam chocolate o dia todo. Por isso é importante fazer uma triagem psicológica antes da cirurgia", avisa o endocrinologista Marcio Mancini, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso).

 Apesar do cardápio bem mais sem graça, instalado para toda a vida, os ex-obesos celebram os resultados. Depois de um "turbilhão de doenças", como apnéia, diabetes, problemas vasculares e até uma internação por insuficiência respiratória, o apresentador João Gordo resolveu apelar para a faca. Para entrar com segurança na cirurgia, internou-se em um spa para emagrecer um pouco (muitos optam por colocar nessa fase o chamado balão intragástrico, que ajuda a perder até 10% do peso em seis meses). Foi operado com 174 quilos e em dois meses e meio já perdeu cerca de 30. "Não sinto fome. Além disso, quando passo dos limites, me dá soluço e parece que estou entalado", descreve. "Continuo o mesmo glutão de antes, só que agora não dá para comer. Carne, por exemplo, só batida no liquidificador." Sua colega apresentadora Leonor Correa, irmã do Faustão, também entrou na faca e em quarenta dias perdeu 12 quilos. "Acordo e vou dormir como se tivesse acabado de comer", conta ela, que está saindo da dieta de líquidos. A experiência da estudante paulistana Paula Ferro, 19 anos, foi mais traumática. Ela teve uma embolia pulmonar logo depois da cirurgia e passou vinte dias no hospital, um deles na unidade de terapia intensiva (UTI). "Podia ter morrido, mas mesmo assim faria tudo de novo", diz ela, com 78 quilos agora, 40 a menos. "No mês passado, comprei minha primeira roupa na Daslu. Foi ótimo."

 

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JORNAL DA FAMÍLIA
Rio, 15 de fevereiro de 2004  
Obesos pobres não têm onde operar


Aauxiliar de enfermagem Sílvia Maria Souza Costa, moradora de Santa Cruz, um bairro pobre da Zona Oeste do Rio, é o número 2.685 na fila de espera de 2.870 pessoas para fazer a cirurgia bariátrica (reduz o estômago e/ou a absorção intestinal) no Hospital de Ipanema. O que desanima Sílvia não é ser uma das últimas da lista, mas sim o fato de o hospital não estar mais operando por falta de material desde julho de 2003. Com 148 quilos, sobrevivendo com o salário de auxílio-doença de R$ 240 por não poder mais trabalhar, diabética, com dificuldade de locomoção, ela não vê luz no fim do túnel.

— Não há um hospital público no Estado do Rio que faça a cirurgia. Fiz os exames pré-operatórios mas não tenho para onde ir — diz.

Revoltada com a sua situação e com a de todos os outros colegas que ganham quilos e quilos enquanto esperam a operação num hospital público, ela diz que obesidade não é sem-vergonhice, mas doença:

— Eu não gosto de batata frita nem de hambúrguer. Obeso pobre come o que acha e não o que quer.

A presidente da ONG Apoio aos Grandes Obesos (AGO-Rio), Eliana Pozzato Shpakovsky, diz que o objetivo é pressionar as autoridades para o serviço de cirurgia bariátrica ser oferecido nos hospitais públicos antes que os doentes na fila de espera morram por complicações da obesidade:

— Temos pessoas com problemas graves de colesterol, pressão alta, diabetes. E outras com a vida parada, como Robson Luís Medeiros, de 15 anos, que está com 280 quilos, não estuda mais porque não cabe nas cadeiras e não sai de casa. Ele tem que voltar a viver!

O professor particular Davi Lima Alves, de 29 anos, morador de Santa Cruz, é outro que sofre devido aos seus 220 quilos:

— Tenho falta de ar, insônia, indisposição, me locomovo mal e sobrevivo com a ajuda dos meus pais.

Maria Bonifácio, de 50 anos, não anda há seis anos devido ao excesso de peso e lamenta a infância perdida do filho:

— Ele está com 18 anos, mas desde os 5 anos não sabe o que é lazer. Nunca pude fazer nada com ele. Como podemos ser felizes assim? Como isso pode ser opção de vida?

Elaine Soutelinho Viana Coutinho, de 31 anos, investiu mais de R$ 3 mil num sonho não realizado e seus 200 quilos ainda a fazem ter fortes dores na coluna:

— No Hospital do Fundão me disseram que se eu comprasse o grampo seria operada logo. Fiz uma vaquinha, juntei os R$ 3.256 e não fui operada. Eles alegaram que eu não estava cadastrada. E não devolvem o dinheiro.

Segundo o responsável pela cirurgia bariátrica do Hospital de Ipanema, o médico Marco Antonio Leite, as cirurgias no hospital — único do município credenciado para as operações — estão paradas desde julho de 2003 por falta de verbas.

— Falta material para as cirurgias. E a fila está enorme. É bom lembrar que a mortalidade na fila de espera e bem superior à mortalidade operatória.

O secretário municipal de Saúde, Ronaldo Cezar Coelho, diz que a prioridade é unificar a fila de candidatos à operação, porque, segundo ele, existem três listas diferentes:

— Vamos também credenciar mais hospitais do SUS para fazerem a cirurgia. Mas na saúde fazemos o tempo todo escolhas difíceis. E essa cirurgia não é uma panacéia, há que se ter cuidado na escolha dos pacientes.

Já o Instituto Estadual de Endocrinologia e Diabetes tem projeto pronto para fazer a cirurgia bariátrica. Mas as mudanças nas instalações, a construção de centro cirúrgico e UTI dependem de verbas.

Para Rosemari Costa, 41 anos e 188 quilos, cujo único sonho é ser leve, a espera e a burocracia são dias a menos de vida.

— Sou professora mas não posso trabalhar. Tenho uma vida pela frente e ao mesmo tempo vida nenhuma.
 

Fonte: JORNAL DA FAMÍLIA (O GLOBO) - 15 de fevereiro de 2004

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Como vencer a epidemia da obesidade


COMBATE À DESNUTRIÇÃO: Criança desnutrida é grande candidata a ser um adulto obeso. Vencer a desnutrição depende de ações públicas como oferta de saneamento básico e programas efetivos de saúde pública. Mas há iniciativas individuais que podem ajudar, como ferver a água que a família ingere e amamentar os bebês por pelo menos seis meses.

A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA: O exercício não só ajuda na perda de peso como traz grandes benefícios à saúde de um modo geral: melhora a sensibilidade à insulina (diminuindo os riscos de se tornar diabético), reduz a perda de massa óssea, ajuda a ganhar massa muscular (o que leva a um gasto metabólico mais alto), melhora a capacidade cardiorrespiratória. Quem quer emagrecer, segundo o endocrinologista Walmir Coutinho, deve conciliar duas atividades diferentes: uma aeróbica (caminhada, corrida) e outra que ajude a desenvolver os músculos (musculação). A oferta de espaços adequados e mobiliário para esses exercícios em comunidades pobres seria de grande ajuda.

REFAZENDO O CARDÁPIO: Os especialistas fazem coro para enfatizar que não se deve fazer dieta, mas sim um plano de alimentação para a vida toda, equilibrado, balanceado e variado. Segundo Walmir Coutinho, é a opção mais saudável porque fornece todos os nutrientes que o organismo precisa e abdica de alimentos que fazem mal à saúde. Neste plano, deve-se usar pouca gordura, óleos e doces; duas a três porções de leite, iogurte e queijo; duas a três porções de carnes, aves, peixes, ovos e grão; duas a cinco porções de hortaliças; duas a quatro porções de frutas; seis a 11 porções de pães, cereais, arroz e massa. Para ter uma alimentação saudável, coma no máximo quatro gemas de ovos por semana. Evite sal no cozimento e não use enlatados, embutidos e frios. Não use manteiga e margarina no cozimento, prefira o óleo, mas não o reaproveite. Pratos com maionese, creme de leite e coco só uma vez por mês. Empanados, milanesa e bolinhos devem ser restritos a uma vez por semana. Os alimentos integrais são mais ricos em fibras. Enquanto os alimentos saudáveis, como frutas, verduras e carnes, forem mais caros do que os industrializados ricos em gordura e açúcar, a população pobre continuará refém da obesidade.

 

Fonte: JORNAL DA FAMÍLIA (O GLOBO) - 15 de fevereiro de 2004

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Pobreza engorda

Antônio Marinho, Simone Intrator e Tania Neves


Os pobres estão engordando mais do que os ricos. Dos 70 milhões de brasileiros que hoje estão acima do peso, são as pessoas de classes mais baixas, sobretudo as mulheres, que engrossam as estatísticas. Comparados com levantamentos de 1989, os números da Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde, de 1997, indicam que entre os 25% mais pobres da região Sudeste, as mulheres com sobrepeso pularam de 11,2% para 14,1%, enquanto entre os 25% mais ricos houve queda de 14,4% para 8,9%. No Nordeste, os números são menores, mas subiram na mesma proporção até 1997. De lá para cá a obesidade entre os pobres continua crescendo, numa tendência que se explica por causa de baixa escolaridade, vida mais sedentária e alimentação inadequada.


— É uma população que tem menos informação e capacidade de compreensão, não tem condições adequadas para desenvolver atividades físicas e consome os alimentos mais ricos em gordura e açúcar, que são os mais baratos. É isso que engorda — diz o professor Carlos Monteiro, chefe do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo.

Fazendo uma única refeição por dia, que se limita a um cachorro-quente, um salgado ou um pedaço de torta e um refrigerante, todas as manhãs numa das inúmeras barraquinhas de lanches nas imediações da Central do Brasil, no Rio, a empregada doméstica Silvana da Silva, de 31 anos, sabe que está muito acima do seu peso ideal:

— Nem sei o meu peso. Não me alimento de forma saudável, mas não posso ficar gastando dinheiro com almoço na rua. E vivo com pressa. Continua nas páginas 2 e 3

Fonte: JORNAL DA FAMÍLIA (O GLOBO) - 15 de fevereiro de 2004

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Luz no final da fila
Rio ganha programa municipal para garantir o
acesso à cirurgia de redução do estômago

por Francisco Alves Filho

Paulo Lacerda/AE/Claudio Versiani

Jefferson passou pela operação e perdeu 76 quilos

Pela primeira vez no Brasil, a obesidade mórbida – aquela que traz sérios riscos à saúde – será combatida por meio de um programa de governo. A iniciativa é da vereadora carioca Rosa Fernandes (PFL), autora de um projeto de lei sancionado na segunda-feira 22 pelo prefeito César Maia, do Rio. A prefeitura vai dar atendimento nos postos de saúde, criar espaços para a realização de cirurgia de redução de estômago nos hospitais municipais e oferecer tratamento pós-operatório. Dessa forma, pretende facilitar o acesso à operação, única forma de resolver o problema (com o estômago reduzido, a pessoa come menos e emagrece). A obesidade mórbida aflige muitos brasileiros (as estatísticas oscilam entre 500 mil e 1,5 milhão de pessoas), mas poucas instituições públicas estão capacitadas a fazer a cirurgia. No Rio, a fila de espera para a cirurgia chega a três mil pessoas. No Hospital São Paulo, na capital paulista, quem se inscreve hoje terá de esperar pelo menos cinco anos para ser operado.

A questão é tão grave que o deputado federal Roberto Jefferson, que passou pela cirurgia no ano passado e diminuiu o peso de 170 quilos para 94, procurou o ministro da Saúde, José Serra, para propor uma estratégia federal de combate ao problema. “O doente de baixa renda tem muita dificuldade para se tratar”, diz. O cirurgião Fábio Viegas, que faz a operação pelo SUS no Hospital do Andaraí (RJ), confirma o drama das pessoas que aguardam a vez. “Só podemos fazer uma cirurgia por semana. Nesse ritmo, nem até o fim da minha vida conseguirei operar todos os pacientes que estão na fila”, diz. O professor José Carlos Del Grande, chefe do setor que faz esse tipo de cirurgia no Hospital São Paulo, afirma que o índice de mortalidade durante a cirurgia é de 1,5%, enquanto na fila de espera esse índice sobe para 4,5%. “O ideal é ter uma política preventiva, para evitar que as pessoas cheguem a esse ponto”, defende.

Fonte: ISTO É Independente

 

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Abaixo o carboidrato

Tania Neves

Vá lá — é a última moda nos Estados Unidos, o país dos obesos, mas não é por esse motivo que a dieta para reduzir carboidratos deve conquistar lugar na sua vida: segundo pesquisa recente divulgada pelo “Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism”, crianças latinas têm mais chances de desenvolver o diabetes do tipo 2. Três em cada dez correm o risco de se tornar resistentes à insulina, num processo que desembocará em síndrome metabólica, obesidade, hipertensão e doenças cardíacas. Para quebrar essa corrente, segundo alguns endocrinologistas, é preciso reduzir o consumo de carboidratos.

A explicação é simples. Carboidrato se transforma em glicose no organismo, e para entrar nas células essa glicose precisa de insulina. Quando a quantidade de carboidratos é grande, a produção de insulina é acelerada para atender à demanda. De tanto produzir insulina, o pâncreas e as células receptoras ficam estressados. Acredita-se hoje que esse é um caminho que leva o organismo a se tornar resistente à insulina — e eis mais um diabético no mundo!

Autores de vários livros sobre o tema, entre eles “The carbohydrate addict’s — Healthy heart program”, os médicos Richard F. Heller e Rachael F. Heller estão no centro das atenções por alertar para a chamada conexão da insulina com pressão alta, arteriosclerose, gordura no sangue, ganho de peso, resistência à insulina e diabetes do tipo 2.

Os médicos americanos propõem um programa para os viciados em carboidratos que começa pelo balanceamento nutricional, segue com suplementação de nutrientes e se completa nas atividades físicas. Os médicos fazem uma longa lista separando alimentos que têm poucos carboidratos (como carnes e vegetais) dos que têm muitos carboidratos (como pães, massas e frutas) e sugerem que, numa das refeições diárias, a pessoa coma, além de saladas, um terço de proteínas, um terço de vegetais e um terço de alimentos com alto teor de carboidratos (a sobremesa está incluída aí). Em todas as outras refeições os alimentos de alto teor de carboidrato estão proibidos.

Para o endocrinologista Amélio Godoy de Matos, do comitê executivo da International Society of Endocrinology, a novidade é que os americanos elegeram um novo vilão. Segundo ele, não é de hoje que se conhece o conceito de carboidratos de baixo e alto teor glicêmico, e muitos médicos baseiam nisso há anos os programas alimentares de seus pacientes. Mas nos EUA, depois da caça ao açúcar e à gordura, com o lançamento de produtos diet e light, nos anos 80, constatou-se que as pessoas continuavam engordando. Claro: passaram a ingerir mais carboidratos. Por isso, o mocinho foi para a berlinda.

— Não há mistério entre o céu e a terra: para não engordar e viver mais e melhor, é preciso consumir menos calorias. E balancear entre os bons alimentos essas calorias — diz Godoy.

 

Dicas para cortar carboidratos


REFINADOS: Os carboidratos refinados, presentes em pães, batata, arroz, são rapidamente decompostos e se transformam logo em glicose, causando uma hiperglicemia quando se ingerem grandes quantidades deles. Mas em seguida acontece uma hipoglicemia e a pessoa tem fome de novo. São preferíveis, portanto, os alimentos integrais.

COZIMENTO: O cozimento de certos alimentos aumenta seu índice glicêmico. Por exemplo, é preferível comer cenoura crua a cenoura cozida.

CARNES: As carnes têm alto índice de proteína e baixo teor de carboidratos, mas é preciso evitar as carnes muito gordas, ou o problema vai apenas se transferir para outro lado.

FRUTAS: Há frutas com menos carboidratos, como maçã, pêra e ameixa, e outras com mais carboidratos, como banana, abacaxi e melancia. Como as vitaminas e sais minerais delas são essenciais, o ideal é eleger as frutas do primeiro grupo.

 

Fonte: Jornal “O Globo”  - 14/03/2004.

 

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Vítimas de obesidade mórbida perdem 40% do peso com cirurgia que diminui o estômago

Passar despercebida na rua era até recentemente o maior sonho da estudante de Psicologia Fernanda Lourenço dos Santos, 22 anos. Ela chamava a atenção pelo volume: 147,5 quilos para uma altura de 1,67 metro. Naturalmente as habituais chacotas e brincadeiras de mau gosto deram-lhe uma adolescência sofrida. Mas hoje, com a queda de peso para 61,5 quilos - obtida em um ano e meio -, Fernanda atrai olhares de admiração. Essa mudança deveu-se à gastroplastia, cirurgia para reduzir o tamanho do estômago. Durante muito tempo ela só era feita no Hospital das Clínicas de São Paulo. Agora, outras instituições começam a se capacitar, como o HC da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que está realizando uma cirurgia por semana a partir deste mês.

O segredo da gastroplastia é simples: com a diminuição de volume, o estômago enche-se rapidamente, transmitindo ao cérebro a mensagem de saciedade e fazendo a pessoa comer muito menos do que anteriormente. Suas variadas técnicas foram aperfeiçoadas nos últimos anos. Uma das mais utilizadas hoje em dia é a da gastroplastia vertical com bandagem - colocação de uma cinta fixa para regular a saída de alimento da minúscula bolsa a que fica reduzido o estômago. "É a mais segura e permite a perda de 40% do peso em um ano", afirma Arthur Garrido Jr., professor associado de Cirurgia do Aparelho Digestivo da Faculdade Medicina da USP.

Os resultados são bons, mas a cirurgia exige sacrifícios dos pacientes devido à difícil convalescença. No primeiro mês, a alimentação restringe-se rigorosamente a líquidos. A partir daí começam a ser introduzidos os sólidos em pouquíssima quantidade, algo equivalente a uma xícara de café em cada refeição - dosagem a que o paciente terá de se acostumar pelo resto de sua vida. Para quem se espantar com ela, supondo uma ameaça de desnutrição, a medicina responde que em casos de hiperobesidade a absorção dos alimentos é completa, ao contrário do que ocorre em pessoas normais. Mas esse assunto ainda está no terreno das hipóteses, advertem os médicos. A verdade é que os hiperobesos operados sobrevivem muito bem.

A gastroplastia é indicada apenas nos casos de obesidade mórbida, em que a saúde é afetada e todos os recursos para emagrecimento foram esgotados, quer dietas, quer remédios. A obesidade mórbida é determinada pelo Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 40. Estudos feitos nos Estados Unidos revelam que pacientes nessa faixa, entre 25 e 34 anos, sofrem risco de óbito 12 vezes maior do que pessoas da mesma idade e peso adequado. J.T.V., candidato à cirurgia, pertence àquele grupo de risco. Ele é funcionário da Unicamp, pesa 234 quilos, mede 1,84 metro e vem tendo dificuldade para respirar por causa da gordura. Enquanto aguarda a vez, faz regime para perder 10% do peso a fim de facilitar a cirurgia com o necessário apoio psicológico para não reincidir. "É que as pessoas muito obesas comem em excesso também como forma de compensação", diz a psicóloga Marlene Monteiro da Silva, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

De fato a gula, assim como o sedentarismo, está entre os maus hábitos que levam à obesidade. "Mas a doença também está relacionada a fatores hereditários", diz o cirurgião José Carlos Pareja, introdutor da técnica no Hospital de Clínicas da Unicamp. O cérebro de pessoas obesas funciona de maneira diferente da do cérebro dos magros, não se deixando comandar pela leptina, uma proteína produzida pelas células de gordura que sinaliza ser a hora de parar de comer. Embora prossiga nas pesquisas em busca de algo melhor, a indústria farmacêutica já oferece medicamentos capazes de provocar a procurada sensação de saciedade.

Por enquanto, a oferta de leitos para a gastroplastia ainda é tímida para uma demanda estimada em 500 mil pacientes com hiperobesidade no Brasil, quantidade pequena se comparada com a dos Estados Unidos, onde, segundo o Instituto Nacional de Saúde, 55% da população é atingida - cerca de 97 milhões de pessoas. Independentemente de ameaça à saúde, a hiperobesidade traz inúmeros e insuportáveis desconfortos aos pacientes. O técnico em artes gráficas Helner Lopes da Rosa, 27 anos, que chegou a pesar 250 quilos, recorda ter atingido um ponto em que nem sequer encontrava camisetas para vestir. Tinha de recorrer às costureiras.

Agora, estacionado nos 80 quilos graças à gastroplastia, não só pôde caprichar no visual como - e isso é o mais importante - recuperou a auto-estima e até se casou pela segunda vez. Ele continua complementando sua recuperação com exercícios físicos sob orientação médica. Faz 2 horas de natação por dia e ainda arruma tempo para um bate-bola, no caso basquete ou vôlei, ou uma caminhada. O cirurgião Pareja aproveita seu exemplo para lembrar que caminhada faz bem a todo mundo, especialmente a quem tem tendência a engordar. Para estes, recomenda, no mínimo, andar 3 quilômetros por dia.

Fonte: Revista Época

 

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Obesidade mórbida reúne equipe multidisciplinar
Hospital começa atendimento em ambulatório em fevereiro pelo SUS



Ser gordo não é só uma questão estética, uma vaidade, Ser gordo é uma doença. E para os gordos, emagrecer é uma ordem para viver. Dieta, ginástica, sacrifício, às vezes, não dá. Há um momento em que todos os métodos de emagrecimento falham, a gordura se instala no corpo de tal maneira que a obesidade passa a ser de alto risco, mortal, mórbida.
A obesidade é um problema grave, de saúde pública que afeta 1/3 da população do mundo ocidental e que vem aumentando dia a dia, sendo por isso considerada a epidemia do terceira milênio. No Brasil, cerca de 15% dos adultos são obesos. As estatísticas dizem que 70 mil brasileiros estão acima do peso, um milhão são considerados obesos mórbidos e 80 mil morrem anualmente por doenças provocadas pela obesidade. Dentre as várias doenças associadas à obesidade, as mais freqüentes são a hipertensão arterial, diabetes, doenças nas articulações - principalmente coluna baixa e membros inferiores -, insuficiência respiratória, apnéia do sono, varizes e trombose nas varizes e trombose nas veias das pernas, doenças coronarianas, derrame cerebral, perda de urina - em mulheres, impotência, infertilidade e vários tipos de cânceres (de mama, de útero, e de intestino), além das psicopatias como depressão e ansiedade. Todas estas doenças, não só pioram a qualidade de vida das pessoas , como também diminuem o tempo de vida do obeso em 20%, além de torná-las enclausuradas, inaptas para o trabalho.

Entre ser obeso e ter obesidade mórbida são poucos quilos, que se ganha em poucos dias, sem ver. A gordura aumenta, em nosso corpo, enquanto dormimos, dizem os especialistas. A solução é a cirurgia , feita no Brasil por um grupo seleto de apenas 500 cirugiões e que pode custar em um hospital particular até 20 mil reais mas que, felizmente, aguarda autorização para ser custeada pelo SUS.

A obesidade mórbida não é resultado da falta de cuidados, de vontade ou vaidade. É uma obesidade não é um problema moral, mas sim um sério problema médico, geralmente mal tratado anteriormente - com regimes e dietas inadequados- ela tem muitas causas, podendo ser genéticas, metabólicas, hormonais, comportamentais, culturais, psicológicas e sociais.
A obesidade mórbida e seu tratamento cirúrgico é tema de estudo no Hospital Universitário Alzira Velano que deverá estar realizando a cirurgia assim que autorizada pelo SUS.
Sábado, dia 28, das 9às 13,30hs o assunto foi debatido em vídeo Conferência, ao vivo, via satélite, pela Net Gastro, através da Conexão Médica, no Salão amarelo do CEP- Centro de estudos e pesquisas do Alzira Velano. Sob a coordenação do professor Dr Luiz Carlos de Andrade, chefe da equipe de videolaparoscopia do hospital, médicos, nutricionistas e acadêmicos assistiram às palestras e participaram dos debates. Os temas abordados foram:: Visão clinica do paciente obeso: "do psiquismo ao metabolismo"; Nutrição na sociedade moderna; Papel do nutricionista no controle da obesidade; Perspectivas da cirurgia Bariatrica; Banda gástrica ajustável - Videolaparoscopica, Técnica de Fobi-Capella - Videolaparoscopica, Técnica disabsortiva (Scopinaro) - Videolaparoscopica, Técnica disabsortiva -Duodenal Switch - Videolaparoscopica, Analise critica dos procedimentos operatórios: Cirurgia baseada em evidencias.
Para o cirurgião Luiz Carlos Andrade que será o responsável pelas cirurgias de gastroplastia e enteroplastia - cirurgias de redução do estômago ou intestino delgado respectivamente, no Alzira Velano, a aula foi importante e oportuna já que está sendo formada uma equipe multidisciplinar - com gastroenterologista, clínico geral, endocrinologista, cirurgião plástico, nutricionista, psiquiatra, psicólogo e fisioterapeuta - para cuidar dos pacientes obesos mórbidos, no pré, e no pós operatório.
Ele esclarece que "o tratamento conservador da obesidade, através de mudanças no hábito alimentar, exercícios físicos e medicamentos tem o seu lugar, porém, são ineficazes a longo prazo pois o problema sempre volta, quando se trata de obesidade mórbida - Índice de Massa Corporal maior que 40 -. Vários estudos demonstram que, mesmo com emprego de novos medicamentos emagrecedores a cada 100 pacientes tratados apenas 34 conseguem perder 10% ao final de 12 meses, perda esta que é muito pequena considerando-se o obeso mórbido.
Por isso, explica o cirurgião, seguindo o consenso mundial sobre tratamento da obesidade, organizado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, em 1991, o único tratamento eficaz a longo prazo contra a obesidade mórbida é o tratamento cirúrgico.
A cirurgia, explica, também por consenso mundial, é indicada naqueles obesos que preencherem os seguintes critérios: Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 40;
- IMC maior que 35 com doenças associadas à obesidade; Falhas de tratamentos conservadores prévios sob orientação profissional.
Segundo Dr. Luiz Carlos, o objetivo da cirurgia é, além de "emagrecer" o paciente obeso e eliminar ou minimizar as doenças associadas à obesidade,é também resolver os problemas psicológicos e sociais causados pela doença, nas coisas mais simples da vida, como higiene pessoal, locomoção, atividades sociais, sexuais e trabalho.

Evolução de diferentes Técnicas melhora benefícios

A técnica acompanha a ciência em estão permanente em evolução. Para operar o obeso mórbido, explica Luiz Carlos, as técnicas evoluíam e hoje existem basicamente 3 tipos de cirurgias: as restritivas, as má absortivas e as híbridas. No início, conta o cirurgião, as primeiras cirurgias - que iniciaram-se na década de 50 - eram do tipo má absortiva, ou seja, diminuíam o tamanho do intestino delgado de cerca de 6 a 7 metros para 35 a 45 cm de extensão, fazendo com que os alimentos não fossem adequadamente digeridos e absorvidos levando à diarréia e má absorção.
Em seguida, conta o especialista, nos anos 80, iniciou-se a era das cirurgias restritivas, ou seja, aquelas que restringem a ingestão alimentar por diminuição do volume do estômago de aproximadamente 2,0 litros para algo em torno de 20 ml promovendo assim, saciedade precoce -ou seja matando a fome.
"Baseando-se no mesmo princípio restritivo estão as bandas, ou prótese de silicone, inicialmente colocadas por cirurgia aberta e ultimamente por laparoscopia. Estas bandas, explica o médico, "estrangulam" a parte superior do estômago formando um estômago em "ampulheta."Tal técnica , esclarece o médico, tem princípios e resultados parecidos com o emprego do balão intragastrico - já liberado pelo Ministério da Saúde - que é colocado por Endoscopia.O balão tem um volume aproximado de 600ml e preenche o corpo do estômago novo.


No final dos anos 80 e início dos anos 90, surgiu o tipo híbrido de cirurgia para obesidade, o qual associava a restrição através da redução do estômago com uma leve má absorção através da diminuição de apenas 1 metro do intestino delgado. Esta cirurgia foi desenvolvida pelo cirurgião colombiano Rafael Capella, radicado nos Estados Unidos e leva o seu nome.
Com essa técnica a perda ponderal média após 1 ano chega a 40 % do peso pré-operatório e mantém-se assim com o passar dos anos. Esta é atualmente a técnica mais utilizada em todo o mundo, inclusive no Brasil, sendo considerada no momento o padrão ouro do tratamento cirúrgico da obesidade mórbida.

(Fonte: Alzira Velano Notícias)


 

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Entrevista com Raphael Capella - Inventor da cirurgia de Capella


Atualmente o Dr. Capella é o cirurgião com a maior e mais respeitada experiência em cirurgia de obesidade. Os médicos passo-fundenses Dr. Carlos Augusto Madalosso e Dr. Ricardo Zanin estiveram acompanhando esse renomado serviço e, na oportunidade, providenciaram esta entrevista realizada em Ramsey, NJ
A obesidade mórbida (OM) - peso muito excessivo, constitui-se na doença crônica mais freqüente nos EUA, e, na maioria dos países em desenvolvimento, sua incidência esta aumentando de forma assustadora de tal forma que a OM supera o número de desnutridos. O tratamento cirúrgico da obesidade mórbida representa a única alternativa para quase a totalidade dos pacientes (acima de 98%).

Iniciada em meados dos anos 60 passou por um processo de amadurecimento ao longo de 20 anos. Atualmente, a cirurgia chamada de GASTROPLASTIA VERTICAL COM BYPASS GASTROINTESTINAL EM Y -DE – ROUX COM USO DE BANDA (GPBRY-b) desenvolvida pelo Dr. Raphael Capellaé considerada a técnica ouro no combate da OM.

Médico nascido na Colômbia, radicado nos EUA em 1959, o Dr. Capella entrou para o American Board em 1966 e dedica-se ao combate da obesidade excessiva desde 1982 em sua clinica privada. Sua técnica ganhou notoriedade nos últimos 3 anos, após a confirmação da manutenção de resultados por período superior a 10 anos.


Dr. Carlos Augusto - Dr. Capella, o excesso de peso e um problema mundial. E vemos que sua incidência vem aumentando sensivelmente. Quais são as causas da obesidade mórbida?

Dr. Capella - As causas da obesidade mórbida são desconhecidas. Sabemos que os costumes alimentares, especialmente nos EUA, não são saudáveis já que, além de abundante, a alimentação é rica em carboidrato e gorduras. Por outro lado, o conforto proporcionado pela evolução tecnológica faz com que as pessoas pratiquem menos atividades físicas. As pessoas não precisam levantar para trocar a televisão de canal, não necessitam caminhar para deslocar-se pela cidade o mesmo acontecendo em relação a subir escadas, lavar roupa... No entanto, o maior problema parece ser genético. Existe, então, uma tendência a ser obeso. E isso é confirmado pelo fato de que outros indivíduos podem comer quanto quiserem que eles não ficarão obesos. É isso que não entendemos: Qual o mecanismo em que a genética é capaz de interferir?

Dr. Carlos Augusto - Porque cirurgia para se tratar OM? Não existem outros recursos?

Dr. Capella - O motivo de se fazer a cirurgia é porque nenhum outro tratamento funciona. As pessoas que apresentam tal grau de obesidade podem fazer diferentes dietas, exercícios, modificações comportamentais e assim elas quando perdem peso é por algum tempo. Agora, nos estamos falando de pessoas com OM , com mais de 45 Kg acima do peso ideal, e nessas pessoas a cirurgia é o único meio de fazê-las perder peso e mais importante, manter essa perda. Qualquer outro método é perda de tempo, dinheiro e mais importante, da saúde. A razão pela qual se opera é porque essas pessoas vão morrer mais precocemente em detrimento da obesidade. E, o que é pior, até lá, viverão mal, com todas as limitações físicas, sociais e econômicas que são impostas a esses doentes.

Dr. Carlos Augusto - O que mudou ao longo desses anos de evolução em cirurgia para obesidade?

Dr. Capella - Bem, muita coisa mudou. Quando iniciei, as operações que eram realizadas eram cirurgias perigosas como várias formas de bypass intestinal cujo princípio baseava-se em pura disabsorção, o que levava a uma perda muito excessiva de peso, e esses pacientes ficavam desnutridos. Muitas vezes havia a necessidade de hiperalimentação via intestinal e endovenosa e alguns deles apresentavam diarréias freqüentes e hipovitaminoses sérias. Muitos desses pacientes necessitavam, então, de re-operação. Utilizamos há mais de 10 anos, cirurgias como a gastroplastia vertical, que se tratava de uma operação mais simples, mas que levava a uma perda insuficiente de peso ou os pacientes recuperavam muito do peso perdido após alguns anos, e eu digo, essas cirurgias também não funcionam. Agora, felizmente temos um procedimento – (GPBRY-b), que é seguro, efetivo e que nos garante resultados há longo prazo.

Dr. Carlos Augusto - Quais são os resultados dessa cirurgia (GPBRY-b)

Dr. Capella -
Nos operamos ate então 2.500 pacientes desde 1982. Na ocasião fazíamos a gastroplastia vertical – técnica de Mason. O que acontecia e que passado algum tempo, nossos pacientes voltavam a ganhar peso a tal ponto que muitos deles voltaram a ser obesos necessitando de re-operação. Assim em 1989 publicamos uma técnica que inicialmente foi realizada em re-operações que foi muito efetiva. Essa operação foi sofrendo modificações e adaptações ao longo dos anos. Nos últimos 6 anos nada mais mudou, isso se justifica pelos excelentes resultados que alcançamos. Dispomos agora de um método seguro com riscos baixos e perda de peso de mais de 70% do excesso de peso que se mantém ao longo dos anos. Na verdade todos perdem peso com essa cirurgia e 95% dos pacientes perdem mais de 50% do excesso de peso. Segundo a IFSO (sociedade internacional de cirurgia da obesidade) considera-se êxito quando a perda de excesso de peso é superior a 50%. Portanto essa técnica é extremamente efetiva e 95% das pessoas deixarão de serem obesas com esse procedimento.

Dr. Zanin - Quais são suas recomendações para pacientes que estão pensando em tratar sua doença com cirurgia.

Dr. Capella - É simples, qualquer pessoa que esteja com mais de 45 kg acima de seu peso ideal precisa fazer a cirurgia, o mesmo se diz de pessoas com Índice de massa corporal de 35 a 40 se o seu médico indicar. Essas pessoas não têm outra chance na vida. A cirurgia é a única coisa que poderá ajudar esses doentes a ter uma vida melhor. E o mesmo se diz das doenças associadas à obesidade. Com a cirurgia o diabetes tipo II desaparece, e muitos desses deixarão de usar insulina imediatamente após a operação e pelo resto de suas vidas. Resposta similar se observa em hipertensos e portadores de degenerações articulares severas.

Dr. Carlos Augusto - Muito obrigado Dr. Capella por suas considerações. Com certeza seu trabalho será muito importante para a humanidade e em especial ao povo de Passo Fundo e região.

Dr. Capella - De nada.

Entrevista concedida à Gastrobese em 14/12/00 no Serviço de Cirurgia de Obesidade do Prof. Capella aos Drs. Carlos Augusto S. Madalosso e Ricardo Zanin.

Entrevista Dr. Raphael Capella em Ramsey, NJ.

 

Fonte: VidaMed - Dr. Carlos Augusto S. Madalosso

 

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UNICAD BATE-PAPO

Dia: 22/08/2004 (20h35min)
Tema: Vômito

por Dr. Eudes Godoy e Tetê Millions



Hoje tivemos nosso primeiro encontro, com a presença do Dr.Eudes Godoy, Flavio (operado pela equipe do Dr.João Carlos e Dr.Diniz ), Tetê, Jaqueline e Juliana. O grupo começoua discutir sobre técnicas, dumping e reações da cirurgia. Flavio colocou a sua preocupação da perda de peso diminuir com o tempo. Dr. Eudes então aproveitou para lembrar sobre a importância de seguir as recomendações da nutricionista da equipe e passar a se exercitar regularmente. Jaqueline também falou de sua preocupação com a diminuição da perda de peso, o que é normal acontecer.

Tetê então pediu que Dr.Eudes comentasse o texto que ela havia enviado, sobre riscos e complicações da cirurgia. Dr. Eudes então propôs discutir sobre complicações tardias, como o vômito. Fez uma explanação sobre o tema:
As complicações tardias são praticamente todas relacionadas aos aspectos nutricionais. Estão quase que totalmente relacionados com aos hábitos alimentares e à qualidade da alimentação. Uma das coisas mais importante é evitar vômito.

No decorrer da conversa, foram surgindo perguntas como: Por que evitar vômito? Qual o risco de vomitar? As quais Dr. Eudes ia respondendo:
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"Vomitar é péssimo em todos os sentidos. Geralmente é decorrente da pressa ao comer, falta de mastigação. Mas também pode ser problemas na operação. A passagem pode estreitar mais do que o normal e chamamos isto de ESTENOSE. A estenose é mais comum quando não se coloca anel. É preciso estar muito atento para isso. Quando se vomita, perde-se uma refeição. Além disso, o estômago é forçado e passa várias horas sensível e inchado, dificultando as próximas refeições. Isso significa quase um dia sem se alimentar bem. Imagina se isso ocorre quase todo dia!"
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As perguntas foram surgindo: Como diagnosticar a estenose? Pode causar desnutrição? Tem gente que pensa que vomitar ajuda a emagrecer. Dr. Eudes continua as explicações:
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"Tem gente que não se adapta por vários razões e vomita quase todo dia. Além de se alimentar mal, o vômito faz perdermos alguns sais minerais e dificulta a ação de algumas vitaminas, principalmente as do completo B, que são muito importantes para o paciente. Quem vomita muito pode baixar muito de peso e ser perigoso. O paciente pode se sentir anormalmente fraco. Depois podem aparecer dormências e dificuldades de equilíbrio. O mais grave é que se isso não for corrigido a tempo, pode levar até a coma e outros problemas neurológicos. Esses problemas neurológicos podem ser irreversíveis. É por isso que temos muito cuidado com vômitos e fraqueza. É uma combinação perigosa."
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Jacqueline pergunta: Isso é para quem vomita muito, não é Dr.?
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"Exatamente, Jac. É muito importante não vomitar. Como eu falei, o cirurgião precisa ver se não está havendo algum problema com a operação."
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Tetê pergunta: Mas o risco do vômito é quando ele se torna uma rotina? Quando é só de vez em quanto também tem riscos?
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"Os vômitos são mais comuns entre 1 e 6 meses. O cirurgião tem que ver se não está acontecendo nada de errado com a operação. Tem que ver se não tem estenose. A estenose é mais comum quando a anastomose, a junção com o intestino, é feita sem anel. Nesses casos, não tem o anel para regular e aí a regulagem é na própria anastomose, que tem que ser mais estreita."
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Flavio tem uma dúvida: Este anel é regulável como a banda gástrica?
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"Não o anel da operação de Capella. Esse é de tamanho fixo. Pode variar de paciente para paciente, depende do cirurgião também. Quando a anastomose é mais estreita, pode estreitar mais ainda com o passar do tempo, pela cicatrização do paciente. Depende tb se o cirurgião fez essa junção com um grampeador, chamamos sutura mecânica, ou de forma manual. A forma manual é a mais segura, mas é mais difícil para a maioria dos cirurgiões. A maioria faz com grampeador mecânico, principalmente se é feita por vídeo. Nós sempre fazemos todas as anastomoses por vídeo manualmente. É por isso que muita gente vem nos visitar para ver nossas cirurgias."
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Juliana entrou neste momento para participar de nossa conversa.
Dr. Eudes continuou sua explicação sobre a técnica usada pela equipe da UNICAD.
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"Um dos atrativos é nossa anastomose totalmente manual. Quando colocamos anel, esse regula a passagem e a anastomose pode ser mais ampla. A anastomose mais ampla é mais segura, dá muito menos estenose. Nunca tivemos uma estenose em nossas operações de Capella, portanto, com anel e com anastomose manual. Mas quem faz anastomose com grampeador, estreita e sem anel, pode ter até 20% de estenose. A maioria das vezes dá para tratar com dilatação por endoscopia."
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Flávio apresenta suas dúvidas: Mas se comer rápido ou sem mastigar corretamente, vomita da mesma forma, não é?
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"Claro, Flávio. Mas estou falando de situações onde o problema pode estar na operação. E aí, mesmo o paciente comendo de forma adequada, pode vomitar. A estenose faz o paciente vomitar e pode perder muito peso e até mesmo se desnutrir. Tem colegas que acham que é normal o paciente vomitar, que sempre é culpa do paciente. Isso é perigoso. Mas tem muito cirurgião fazendo essas cirurgias sem entender esses detalhes. Digo isso porque viajo muito, vejo muitos operando e converso com todos. Sempre discutimos isso."
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Tetê quer saber como identificar se o vômito foi provocado por alimentação errada ou se está ocorrendo por causa de uma estenose.
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"Vômitos, muitos vômitos. Temos como saber pelo tipo dos vômitos se está mais relacionado a hábitos ou se há algum problema com a operação. A endoscopia nos mostra com segurança se algum problema com a anastomose. Além de endoscopia, temos outros exames, como a seriografia. Na seriografia, damos contraste para o paciente tomar e batemos vários RXs."
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Surgem mais perguntas: Se isto ocorrer, é preciso abrir novamente ou o problema resolve com uma endoscopia?
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"É muito raro ter que abrir de novo, mas as vezes é necessário. A maioria, como falei, pode ser tratado com endoscopia."
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Isto pode acontecer até com quanto tempo de operado?
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"Até muito tempo depois, mas é muito mais freqüente no primeiro ano, nos primeiros seis meses."
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Devemos fazer revisões por quanto tempo?
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"A vida toda. Na nossa rotina, uma vez por ano."
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Então,Dr.Eudes quis saber se todos tinham entendido sobre estenose, completando que quando colocamos anel, esse passa a ser o regulador da passagem dos alimentos. E acrescentou que tem muito mais coisa interessante a respeito do assunto. Reforçou que quem vomita muito no início geralmente corre o risco de desnutrição e perder peso demais.
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Juliana teve dúvidas sobre o tamanho do anel. Dr. Eudes tranqüilizou-a garantindo que o anel dela era do tamanho normal, que lembrava bem da sua cirurgia.
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Ainda sobre vômito, Dr. Eudes alertou:
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"Quem vomita muito a longo prazo geralmente passa a ingerir mais alimentos mais finos, mais pastosos. Esses alimentos são geralmente mais ricos em carboidratos e pobres em proteínas. O paciente fica com um déficit crônico de proteínas e o peso não baixa, porque está ingerindo muito carboidrato. Ganha gordura e perde proteína, massa magra. A massa magra é quem consome energia e aí, mais uma razão para parar de perder peso. Por essa e outras que recomendamos comer a maior quantidade de proteínas e menor de carboidratos possíveis."
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Flávio precisou sair, mas a conversa continuou. Agora mais sobre alimentação e exercícios.
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"Outro importantíssimo fator é se exercitar. Exercitar-se garante massa muscular que consome mais energia. Quando perde-se massa muscular, diminui-se o consumo de energia.Consumindo-se menos energia, perde-se menos peso. A massa muscular magra também é responsável pela disposição para as atividades do dia-a-dia. É músculo. Muitas vezes a fraqueza e falta de disposição é decorrente desse processo de perda crônica de massa muscular. As vezes operamos um paciente, tempos depois da gastroplastia, e percebemos que sua musculatura da parede abdominal é quase zero. Isso traduz a perda crônica da massa muscular. Além disso, predispõe a flacidez."
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Sugerimos que voltássemos aos temas alimentação e exercícios numa próxima reunião. Em cada encontro um voluntário escreveria sobre o tema do dia, para que todos pudessem tomar conhecimento. Dr. Eudes falou que está só começando a botar em prática um de seus projetos, o primeiro. Só sentimos não poder contar com toda a equipe e com mais operados nesses projetos. Mas vamos continuar insistindo e tentando conquistá-los.
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Concluindo o tema, Dr. Eudes falou que é principal vilão e eo maior perigo, tanto para complicações como para maus resultado,sãos os vômitos.
Ao final, combinamos de toda reunião falar de um tema específico e depois de assuntos mais gerais.
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Para nossa surpresa, recebemos uma figura bem conhecida entre os gastroplastados, Cid , mas conhecido como "ex-gordo", que veio abrilhantar nosso encontro com seus depoimentos. Agradeceu o convite para participar do chat e se colocou a disposição para falar de sua experiência com a cirurgia.
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Sobre o tema do dia, Cid falou que felizmente não sofria mais vômitos. Que no início os vômitos eram mais freqüentes justamente por uma maior sensibilidade do organismo. Não era só quando excedia na quantidade que ele vomitava, mas também quando sentia cheiros e até mesmo o gosto de certos alimentos. Hoje, cinco anos depois de operado, é raro vomitar. Mas ainda passa mal quando coloca alimentos muito gordurosos na boca. Hoje descobriu seus limites, não só quantitativos, mas qualitativos.
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Cid continuou seu depoimento acrescentando: "Há sempre uma adaptação do organismo. Além do que, nem sempre as metas são reais. Quando operamos, além da gordura, perdemos músculos, líquidos. É um auto-canibalismo. Literalmente nos consumimos. Quando o organismo alcança estabilidade, tende a recuperar o que perdeu."
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Ao ser perguntado se fosse fazer hoje a cirurgia, qual seria a técnica, Cid relatou:
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"Isso depende da conversa com o médico e a equipe. Deve ser uma decisão pensada em equipe. Não é a compra de um carro, em que você escolhe modelo e cor pelo seu desejo. O médico tem que estar junto, estudando seus hábitos e suas necessidades. Não adianta falar que Scopinaro é melhor, ou Capella. Cada um tem seu estilo de vida."
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Este assunto gerou uma rápida troca de idéias sobre a cirurgia scopinaro, prós e contras, desconfortos, alimentação e complicações.
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Cid aproveitou para elogiar o trabalho do Dr. Eudes, ressaltando que ele não é apenas um cirurgião competente, mas um cirurgião que entende e investe no trabalho de uma equipe multidisciplinar, que a fama do Dr. Eudes é nacional, não só como cirurgião, mas também por essa preocupação humanizada do tratamento.
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psicológico e nutricional. Destacando que a obesidade não tem apenas uma causa, mas fatores emocionais e genéticos que precisam ser cuidados. Conclui com uma frase muito importante e que merece destaque: "O MÉDICO QUE ASSUME UM OBESO, DEVE ASSUMI-LO PARA O RESTO DA VIDA". Se despediu, desejando: "Sejam felizes, simplesmente".
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Ainda sobre sua experiência, Cid nos contou que até hoje, mesmo após cinco anos de operado, continua tendo acompanhamento.
Beta e Marília Almeida chegaram quando o chat já tinha encerrado. Esperamos vocês mais cedo da próxima vez.
E você, quer conversar sobre qual tema? Participe, colabore, este espaço é todo seu!


Texto indicado por Tetê Millions
Retirado do site da UNICAD

Formatado pela Webmaster deste site.

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A importância do tratamento psicológico para o tratamento da obesidade mórbida.

Texto enviado por Kleiton Freitas
 

Para a psicóloga Marisa Martinez, que trabalha no processo de avaliação junto aos pacientes de um dos mais conceituados cirurgiões do aparelho digestivo de Sorocaba, o doutor Júlio César Martinez, a obesidade mórbida é uma doença do estilo de vida.

O indivíduo acaba mais vezes tendo uma tendência, uma propensão a desenvolver a obesidade, um metabolismo que favorece isso, um sedentarismo e alguns aspectos emocionais que também estão presentes. O que se observa é que normalmente as pessoas que desenvolvem a obesidade são muito críticas, muito exigentes e valorizam muito mais o aspecto racional que corporal e nem sempre integram uma experiência a outra e acabam sendo assim extremamente tolerantes em relação aos outros, aos alimentos, então existem aspectos comuns no perfil delas que acabam desenvolvendo a obesidade.

Muitas pessoas que chegam a obesidade mórbida, onde estão pessoas com 40 quilos acima do seu peso normal e são indicados a passar pela cirurgia da obesidade não dão muito valor a avaliação psicológica, fundamental para ter certeza se tal paciente está preparado para a mudança radical que vai ter na vida. Deixando de descontar na comida a ansiedade e os problemas do dia-a-dia.

Marisa diz que o estudo da obesidade envolve a questão física, mas também a questão emocional, então o trabalho psicológico ele é feito desde o início no sentido de levantar uma série de questões, desde o histórico, verificar se existem distúrbios que mereçam encaminhamento psiquiátrico, e até procurar avaliar se de fato aquela pessoa, naquele momento, está preparada para ir para a cirurgia. Pois existem aspectos de personalidade do perfil do indivíduo, que podem facilitar esse processo ou que em algum momento podem ser configurados em empecilho, então, desde o início toda a abordagem da avaliação psicológica prevê isso.


Segundo Marisa, muitas pessoas que chegam ao consultório do psicólogo já chega decidido a fazer a cirurgia, mas apesar disso, sempre é feito um questionamento no sentido de que ela possa se assegurar de todas as fases posteriores que ela vai passar e de que aquela decisão é uma decisão que não foi tomada em função de conhecer outras pessoas que fizeram a cirurgia ou em função de um modismo, mas de uma indicação de saúde e qualidade de vida. É isso que é importante, que cada pessoa que cogita fazer a cirurgia, tenha essa clareza, porque
é normal logo depois da cirurgia, no processo pós-cirúrgico o indivíduo passar por algumas dificuldades inerentes a transição, de um processo de obesidade, um processo de ganho de qualidade de vida mesmo. E nesse momento se ele não tiver uma estrutura suficiente para passar por essa transição de uma maneira adequada, ele pode ter algumas conseqüências emocionais, que demandam um certo investimento para poder ser administrados.

Depois do processo pós-operatório, existe uma necessidade do indivíduo elaborar algumas questões ligadas a sua própria identidade. Alto-estima, questões de reconhecimento do grupo, então ele passa por uma série de transformações e que nesse período pós-operatório é importante que ele possa estar se apropriando dessas percepções.

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Cirurgia da obesidade como última solução

Obesos mórbidos vêm na cirurgia bariátrica a única saída para resolver seu problema.

Texto enviado por Kleiton Freitas


"Aos 10 anos eu já pesava 100 quilos, vivia tomando moderadores de apetite, já estava com problemas de saúde como diabetes, colesterol e pressão alta, tudo de ruim que o obeso adquire. Foi quando descobri que tinha um especialista que estava trazendo a cirurgia bariátrica para o Brasil e resolvi ir atrás dele, atrás da minha felicidade. Mais tarde descobri que o meu convênio não cobria esta cirurgia e eu não tinha o dinheiro para pagar. Saí do emprego, vendi meu carro e investi em mim. Antes eu comia 13 pasteis, 8 litros de Coca-cola, três frangos-assados por dia, isso não era vida, e eu achava que não comia muito, só eu não enxergava. Se eu morresse durante a cirurgia eu morreria feliz porque pelo menos eu tentei fazer alguma coisa para ser uma pessoa normal".

Estas palavras são de Marco Antônio Martins, de 38 anos, que fez a cirurgia da obesidade há quase seis anos. Ele que tem 1.75m de altura, na época pesava 180 quilos. Hoje pesa 83 quilos e se diz realizado.


Segundo o cirurgião Arthur B. Garrido Jr, pioneiro na realização da cirurgia bariátrica no Brasil e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, a operação só é indicada para aqueles muito obesos. "Para se ter uma idéia, o Índice de Massa Corpórea de uma pessoa normal vai de 20 a 25, mais ou menos, quem tem esse índice maior que 40 é considerado obeso mórbido e, em princípio, tem indicação ao tratamento cirúrgico. Mesmo se o Índice for 35, mas estiver trazendo conseqüências graves pra saúde como diabetes, falta de ar, pressão alta, artrose, coisas do tipo, também pode ser indicado o tratamento cirúrgico", explica. Para se obter o índice de Massa Corpórea é preciso dividir o peso pelo quadrado da altura (Veja quadro abaixo).


Mas, antes de se pensar em operação é preciso fazer um acompanhamento com uma equipe multidisciplinar que inclui o cirurgião que vai pedir os primeiros exames, o psicólogo que avalia se a pessoa está preparada psicologicamente para a mudança que vai acontecer na alimentação e vida social, nutricionista que avalia e acompanha a pessoa antes e depois da cirurgia e o endocrinologista que avalia se o problema da pessoa é hormonal e não causada pelo excesso de alimento. Os pacientes participam de reuniões em grupos de pessoas que vão passar ou já passaram pela cirurgia. No contato com pessoas que tem o mesmo problema eles tiram dúvidas e ajudam outros futuros pacientes, que segundo Garrido, em muitos casos precisam perder cerca de 10% do seu peso para poder passar pela cirurgia.


Regina Mara, hoje com 40 anos, resolveu fazer a cirurgia porque corria risco de vida, sofria com a discriminação e era muito apontada na rua. A Diabetes e a pressão estavam muito altas e sempre estava em Depressão. "Eu conheci uma pessoa que tinha feito essa cirurgia em São Paulo, com o Dr.Garrido. Eu fui participar das reuniões em grupo com operados e pessoas que iriam operar, me informei sobre tudo e entrei na fila pelo SUS. A minha família me deu o maior apoio", comenta.


Mara, que hoje pesa 68 quilos, fez a cirurgia há 1 ano e meio pesando 145 quilos com 1.70m de altura diz ser uma nova pessoa. "Se você sonha, siga em frente, você vai encontrar portas fechadas, a maioria das pessoas não vai te apoiar, mas siga em frente, não tenha pressa que depois é só vitória", sugere.


Após a cirurgia, com a redução do estômago é preciso comer devagar, mastigando bem os alimentos para que não tenha o famoso vômito do paciente operado.


"Qualquer alimento se você comer e tomar água, ou comer rápido ou sem mastigar a pessoa vai ter problema de vômito, isso é certo. Existem pessoas que vomitam tanto espontaneamente como pode colocar o dedo na garganta para vomitar", explica o cirurgião do aparelho digestivo Sandro Dini.


Para Josefina Dourado Matielli, endocrinologista especialista em cirurgia da obesidade, e que trabalha há oito anos no Instituto Garrido, após a cirurgia é preciso comer com qualidade e tomar vitaminas para não ter problema de anemia, desnutrição protéica, queda de cabelo, além de uma perda de peso insuficiente. É preciso se alimentar de uma forma correta com seis refeições ao dia, sempre comendo carne pra que possa ter sucesso efetivo e continuado. E mesmo depois de um ou dois anos de operado não pode baixar guarda da alimentação porque se não a desnutrição vem, já que o estômago continua pequeno. "As pessoas que não operam e fazem dietas, com o tempo começam a comer errado e voltavam a engordar. Esse mecanismo continua no grande obeso que passou pela cirurgia, a cabeça não foi operada, só o estômago e se ele não prestar a atenção, trocar as refeições ele pode voltar a engordar mesmo depois de operado além de ficar com anemia", avisa Josefina.
Mas como toda cirurgia, esta também tem riscos. "O risco de morte é de 0,5% para menos, mas deve ser levado em consideração. Esse risco aumenta se o paciente tiver algum tipo de doença associada ou for muito obeso", alerta Dini.

Cláudio Vasconcelos, 42 anos, pesava 170 quilos há dois anos e hoje está pesando 62 quilos. Para ele a cirurgia foi um pouco mais problemática. Teve complicações após a cirurgia. O Intestino fechou com o crescimento de carne no local do corte onde é ligado ao estômago, impossibilitando a ingestão de alimentos e fazendo com que ele vomitasse toda vez que se alimentava."Quando voltei para a segunda cirurgia estava pesando 40 quilos e devido as complicações hoje não consigo comer carne e tenho que tomar remédios e vitaminas para o resto da vida" comenta.



                      Peso em quilos
IMC =           _________________
                           Altura2



Ex.:  Uma pessoa de 1,59m e pesando 95kg. Seu cálculo será:


                  95               95
IMC =  ____________ = _______ = 37,7
            1,59 x 1,59       2,52
 

Abaixo de 20 - peso inferior ao normal
De 20 a 25 - peso normal
De 25 a 29,9 - sobrepeso ou obesidade grau I
De 30 a 39,9 - obesidade grau II
Mais de 40 - obesidade mórbida ou grau III

Ou calcule o seu IMC --> AQUI
 

Fonte: Organização Mundial da Saúde (Genebra)

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voltar a engordar

UNICAD BATE-PAPO

Dia: 09/09/2004 (13h)
Tema: Voltar a engordar após a cirurgia: verdade ou mito?

por Dr. Eudes Godoy e Tetê Millions


Ao longo de todo o debate ficou claro que o grande medo de quem fez a cirurgia de redução de estômago é voltar a engordar.         Dr. Eudes Godoy esclareceu que é normal ganhar algum peso depois de um tempo de operado, dependendo do excesso de peso no pré. O paciente pode emagrecer até 2 anos depois de operado, normalmente o ritmo é maior nos 3 primeiros meses, isto porque o peso é máximo e o paciente está ingerindo o mínimo. Veja a seguir parte do debate:

Paciente - Depois da cirurgia se passa a comer mais e por isto a pessoa engorda?

Eudes Godoy – Quando se perde peso no primeiro ano, perde-se também alguma quantidade de massa muscular, é inevitável. A massa muscular é muito importante, é proteína, toda proteína tem alguma função importante no corpo, não temos estoque de proteína como temos de energia, a gordura. Sempre que perdemos proteína, temos algum prejuízo funcional. Isso faz com que chegue a um ponto em que o metabolismo tenda a se equiparar: ingestão e perda. Aí o peso tende a estabilizar. Já estão percebendo a razão das nossas principais recomendações: comer mais proteína possível e se exercitar o mais rápido possível depois da operação. Esses dois fatores é que fazem poupar massa muscular e consumir mais energia e, conseqüentemente, perder mais peso. Além disso, quanto menos massa muscular se perde, mais dispostos e saudáveis nos sentimos.

Paciente - Certo, mas depois de meses, o que acontece?
Godoy - É como eu digo às pessoas que me perguntam sobre a cirurgia, só depende de nós mesmos. Depois que o peso vai se estabilizando, os mecanismos que fazem perder massa muscular vão desaparecendo. A tendência é o organismo recuperar a massa magra perdida principalmente se houver: alimentação adequada e exercícios, isso explica o ganho de peso normal que vemos entre 2 e 3 anos de operado.


Paciente - Então, se comermos o máximo de proteína possível e fazer exercícios físicos não há perigo de engordar?

Godoy – Temos que fugir dos carboidratos e correr pras proteínas!!! Quando você readquire massa magra, o peso tende a ir se estabilizando. A massa magra é o que vai te ajudar a continuar a emagrecer ou não engordar. Quando ela é incorporada e começa a funcionar, a tendência é voltar a perder peso porque ela consome mais energia.

Paciente - O que acontece com quem engorda mais do que o dito normal?
Godoy – Essas mudanças todas acontecem paralelamente a várias mudanças metabólicas. Existe no organismo um complexo sistema que controla o peso da pessoa, esse sistema é alterado depois da operação, mas continua funcionando. Vou falar um pouco de dois fatores envolvidos nesse sistema: a GRELINA e a LEPTINA. A grelina é uma proteína que é produzida em várias partes do tubo digestivo, mas a grande maioria é produzida no fundo e corpo do estômago. O fundo e o corpo compõem exatamente aquela parte do estômago que fica separada na operação de Capella. Essa proteína é produzida nessa área, cai na circulação e vai até os centros que regulam a sensação de fome no cérebro, a grelina também faz com que o paciente produza mais gordura, chamamos isso de lipogênese. Ela regula também o gasto energético da pessoa por interagir com áreas cerebrais do chamado sistema nervoso autônomo, aquele não comandamos, mas que regula funções vitais. Dessa forma, quando operamos e separamos essa parte do estômago, a grelina reduz bastante e é uma das coisas que explicam a fome reduzida depois da operação. Existem outros mecanismos que também controlam isso e aí a fome vai voltando depois de alguns meses.

Paciente - A grelina volta a ser produzida normalmente?
Godoy – Não, ela se mantém baixa. Não sabemos ainda se ela pode aumentar depois de muitos anos. A grelina foi descoberta há apenas, pasmem, 5 anos, conhecido popularmente como hormônio da fome. Como eu havia falado antes, a leptina é também uma proteína, mas é produzida em um local diferente. Ela é produzida no próprio tecido gorduroso, quanto mais obeso, mais se produz leptina. Ela tem uma ação contrária à grelina, inibe a fome, aumenta o gasto energético. Ou seja, a idéia do sistema regulador é a seguinte: você engorda, produz mais leptina que passa a diminuir sua fome e aumentar o gasto energético para que não continue a engordar. Mas a obesidade é uma doença, é um defeito, e a coisa não funciona como deveria.

Paciente - Por que no obeso ela não atua como deveria??
Godoy - Há algumas teorias pra explicar a obesidade, a famosa tendência para engordar, principalmente fatores que fazem gastar mais ou menos energia e produzir mais ou menos gordura. Todos esses fatores se relacionam de uma forma que ainda não conhecemos completamente, as mudanças exatas que acontecem no pós-operatório também não podem ser previstas com exatidão. Isso que faz algumas pessoas perderem mais peso ou menos peso. Outro fator predisponente é que a obesidade tem forte ligação com herança genética.

Paciente – E como podemos identificar nossas tendências pessoais?
Godoy – ainda não é possível medir. Os estudos nessa área estão andando a passos muito largos, cada dia descobrimos algo novo

Paciente – A gastroplastia foi uma grande conquista para o obeso, mas só será mais completa quando descobrir estes outros mecanismos, não é mesmo? Por enquanto ela ainda é uma técnica incompleta?
Godoy – Eu não diria uma técnica incompleta. Diria que ainda não é a resposta final e é também o que podemos oferecer de mais eficiente hoje. Mas certamente muita água ainda vai passar por baixo dessa ponte. Resumindo: cada um tem vários fatores que fazem perder mais ou menos peso, não conseguimos controlar isso, mas podemos administrar outras coisas que podem compensar, como boa alimentação e exercícios. A cirurgia sozinha não faz milagre.

Paciente – Por que é tão difícil para os operados ter persistência, entender que precisa mudar seus hábitos também?
Godoy – Acho que informação é a chave de tudo, por isso que estou com idéias como essa. Entender o que realmente acontece ajuda a tomar as condutas certas e entender por que fazemos determinadas recomendações. Aí está a importância da equipe multidisciplinar também, principalmente a nutricionista e a psicóloga, que muitos acabam abandonando. Na verdade, a coisa é muito mais complexa do que simplesmente o estômago dilatar. Ele dilata um pouco, é normal, mas não é isso o principal problema que atrapalha o resultado. Quando um paciente não está tendo uma evolução boa, sempre investigamos isso, mas raramente confirmamos esse aspecto da dilatação como o culpado. Podemos confirmar a dilatação com 2 exames: endoscopia e seriografia (tipo de raio x com contraste). Caso seja identificada a dilatação, podemos reoperar, vai depender do caso.

Paciente – Existe algum estudo comparativo que estabeleça maior ou menor sucesso entre a operação aberta e por laparoscopia? Alguns médicos alegam que o método por laparoscopia teria menos sucesso.
Godoy – Quem fala isso é porque não faz a cirurgia por vídeo. É lamentável, mas infelizmente acontece isso. O problema é que cirurgia da obesidade por vídeo é o top de linha da técnica cirúrgica. É só para profissionais devidamente especializados. Muitos cirurgiões, geralmente mais antigos, que não querem se submeter a um novo aprendizado, preferem falar mal do método na tentativa de manterem seus mercados.

Paciente – Sinto dores abdominais até hoje e minha endocrinologista disse que pode estar relacionado à tireóide. Faz sentido?
Godoy – Não vejo sentido nisso. Pode até acontecer, mas certamente não é a causa mais comum a ser pensada.
 

Texto indicado por Tetê Millions
Retirado do site da UNICAD

 

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Beribéri: um risco para quem opera o estômago

Texto enviado por Mireillie Jandorno
 

A volta do Beribéri ou "Os problemas neurológicos das pessoas operadas do estômago"

Dr.Orlando Pereira Faria
Cirurgião Bariátrico
Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica
Delegado Regional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica


Beribéri é uma palavra senegalesa que significa fraqueza extrema. É uma polineurite específica que ocorre de forma endêmica na parte oriental e sul da Ásia e, esporadicamente em outras partes do mundo sem referência ao clima, prevalecendo onde exista inanição ou fome . Nas Américas, atualmente, é muito rara, mesmo em alcoólatras.

- Durante o período pós-operatório inicial você teve problemas com vômitos?
- Ou, por não estar com fome você deixou de fazer algumas refeições?
- Você esqueceu de usar seus suplementos vitamínicos no pós-operatório?

Para os pacientes de cirurgia bariátrica que vomitam freqüentemente e aqueles que têm dificuldade de comer e não usam suplementos vitamínicos, existe o risco raro, mas ocasional, de deficiência de tiamina. A tiamina é uma das vitaminas do complexo B,conhecida como a vitamina B1, e é importante para ajudar na conversão de carboidratos e gorduras em energia necessária para todas as funções orgânicas.

A doença causada pela deficiência da tiamina é conhecida como beribéri. Beribéri é também chamada a "doença do manco" porque indivíduos com este problema perdem freqüentemente a capacidade de andar e podem mesmo sofrer de lesão cerebral permanente ou desenvolver insuficiência cardíaca e morrer.

Existem duas formas principais de beribéri, a seca e a úmida. A seca, ou forma paraplégica, é a forma da doença que afeta o sistema nervoso, geralmente causando dor nas pernas (e as vezes nos braços), cãibras musculares nos braços e pernas e paralisia das extremidades inferiores. Estágios avançados da forma seca da doença podem resultar em confusão mental, desorientação, perda da memória, coma e morte, uma condição conhecida como Síndrome Wernicke/Korsakoff.

O beribéri úmido ou edematoso é a forma na qual ocorre insuficiência cardíaca congestiva além da neuropatia periférica, aparece quando a deficiência de vitamina B1 afeta o coração e o sistema circulatório causando um aumento do coração, taquicardia, congestão, dificuldade de respirar,edema nas pernas e pés e insuficiência cardíaca congestiva. Esta forma da doença é extremamente perigosa e é a principal causa de morte em indivíduos com déficit de tiamina.

Os médicos geralmente falham ao diagnosticar beribéri. Isso ocorre porque a vitamina B1 é atualmente adicionada a cereais, pães, farelo de arroz e outros produtos alimentares para prevenir sua ocorrência. Portanto, a doença, hoje é muito rara em países industrializados, e muitos médicos nunca viram um caso de beribéri.

O beribéri não costumava ser rara. Na verdade, a doença era extremamente comum entre asiáticos por séculos. Uma primeira discrição dessa doença foi feita em 2695 AC (Antes de Cristo), mas só foi determinado como causa de alguma deficiência dietética
no início do século 20 quando se reconheceu que indivíduos com a doença consumiam uma dieta que continha unicamente arroz branco ou sem casca.

A tiamina é encontrada na casca do arroz e quando ele é beneficiado para produzir o arroz branco, a casca externa é desprezada. Hoje o arroz branco é geralmente enriquecido com vitamina B1 e outras vitaminas do complexo B em países, tais como Japão e China , onde o arroz é o principal componente da dieta. Ainda hoje existem áreas remotas e muito pobres da Indonésia onde o beribéri permanece comum com taxas de prevalência que chegam a 65% da população.


Na Europa e na América o déficit de tiamina geralmente resulta de alcoolismo crônico. O uso freqüente do álcool reduz a absorção de vitaminas do complexo B incluindo a tiamina. Outras condições que causam deficiências de vitamina do complexo B incluem: uma dieta rica em açúcar e carboidratos refinados, uso regular de diuréticos, doenças disabsortivas, vômitos crônicos ou dietas de muito baixa caloria.

Dieta de baixa caloria, deficiências nutricionais e disabsorção podem ocorrem com a cirurgia bariátrica causando déficit de tiamina e beribéri. A tiamina é absorvida na segunda porção do intestino delgado conhecido como jejuno. Com certos procedimentos cirúrgicos, tais como o By Pass Gástrico tipo Fobi-Capella, cirurgia de Scopinaro e Duodenal Switch, uma parte do ou em algumas condições a maior parte do jejuno é excluído do trânsito alimentar o que pode causar, na ausência de suplementação vitamínica, deficiência de tiamina e outras vitaminas do complexo B . Existem vários relatos de casos publicados de beribéri afetando o sistema nervoso (beribéri seca), em pacientes que tenham sido submetidos às cirurgias de By Pass Gástrico e derivação Bilio-pancreático. Existem também relatos de casos desta síndrome após cirurgias exclusivamente restritivas como a Gastroplastia Vertical Bandada (Cirurgia de Mason), Banda Gástrica e Balão Intragástrico.

A síndrome de Wernicke/Korsacoff, como mencionado previamente é a lesão neurológica mais grave causada pela deficiência de tiamina. O cérebro usa glicose para produzir energia para funcionar e o déficit de tiamina prejudica a capacidade do tecido de converter açúcar em energia. Sem energia, o cérebro pode perder a capacidade de funcionar normalmente ou até morrer. Além disto, o déficit de
tiamina também produz vazamentos nos vasos que suprem de nutrientes e oxigênio o cérebro causando sangramento, edema e inflamação, uma condição conhecida como síndrome de Wernicke.

A síndrome de Wernicke leva ao estágio mais crônico de beribéri, conhecido como psicose de Korsacoff. Essa condição caracteriza-se por lapsos de memória, perda da memória para fatos recentes, defeito na capacidade de aprender, apatia e perda da motivação. A síndrome de Wernicke Korsacoff é reversível se a condição for reconhecida e tratada precocemente. Se a deficiência de tiamina permanecer sem tratamento por muito tempo, pode ocorrer lesão cerebral permanente assim como coma e morte.

A deficiência de tiamina após cirurgia bariátrica ocorre mais freqüentemente após episódios de vômitos freqüentes e, portanto um período de baixíssima ingestão alimentar. Esta condição, entretanto pode ocorrer também entre indivíduos que se abstêm de comer com objetivo de aumentar sua taxa de perda de peso e naqueles que não usam suplementos vitamínicos pós-cirúrgicos.

O "beribéri bariátrico" geralmente ocorre nos primeiros meses pós-operatórios e quando a ingestão calórica está no seu nível mais baixo. Entretanto existem relatos da doença em pacientes com um ano ou mais de operados.

Como tratar ou prevenir esse sério problema? Primeiro é importante ingerir o suplemento de minerais e vitaminas diariamente após a cirurgia que contenham no mínimo 100% da RDA para tiamina e outras vitaminas do complexo B. Segundo, qualquer episódio de vômito deverá ser relatado ao seu médico e devem ser tomadas medidas para resolver essa condição. Terceiro, deve-se fazer todo o esforço para ingerir três refeições por dia, mesmo que não haja fome. E finalmente, é  importante conhecer os sinais e sintomas precoces e tardios do beribéri bariátrico.

Os sintomas iniciais da deficiência de tiamina podem incluir alguma perda da memória, fraqueza, enrijecimento e formigamento nas extremidades, particularmente ns pernas. Sem a reposição de tiamina pode haver maiores lesões aos nervos nas pernas (e às vezes
nos braços) causando atrofia muscular (esgotamento muscular) e mesmo algum grau de paralisia. À noite, em particular, os pés podem parecer como estivessem queimando. Câimbras e dores musculares não são incomuns. Pode haver dificuldade de se levantar de uma posição agachada.

As formas mais sérias de lesão neurológica envolvem tonteira, desorientação e confusão sobre tempo e espaço. Pode ocorrer perda da memória para fatos recentes. Como mencionado previamente, essa condição, conhecida como síndrome de Wernicke/Korsacoff se não tratada precocemente, pode levar à lesão cerebral irreversível e mesmo a morte.

A insuficiência cardíaca é a causa mais comum de morte em indivíduos com beribéri. Os sintomas do beribéri úmida ou edematosa, isto é, a forma do beribéri que afeta o sistema circulatório, inclui taquicardia, congestão pulmonar, respiração dificultosa e edema nas
pernas e pés.

A beribéri é tratada através de suplementação de tiamina. A beribéri "seca" de leve a moderada ou problemas no sistema nervoso são tratados com altas doses de suplemento de tiamina (10 a 30 mg diariamente), além de outras vitaminas do complexo B, até que os
sintomas desapareçam.A suplementação deve ser acompanhada de uma dieta rica em tiamina.

E quais alimentos são fonte de tiamina? Carne de porco, fígado, ostras, carne de vaca, feijões-de-lima, ervilhas, grãos integrais, cereais enriquecidos, arroz integral, gérmen de trigo e aveia. O álcool interfere na absorção de tiamina e deve ser evitado, assim como o açúcar e grãos refinados que não foram enriquecidos com vitaminas do complexo B.

Danos no sistema nervoso central (Síndrome de Wernicke/Korsacoff) e problemas cardiovasculares (Beribéri úmida) são tratadas com
injeções com altas doses de tiamina (100mg) de tiamina nas veias ou músculos. Após a administração dessas injeções, há a necessidade da administração de tiamina junto com outras vitaminas do complexo B e prescrição de uma dieta rica em tiamina.


Os sintomas da deficiência de tiamina, geralmente levam de algumas semanas a um ano para desaparecer, dependendo da gravidade do caso. Em alguns indivíduos há a necessidade de fisioterapia para melhorar o dano no sistema nervoso e desenvolver força muscular. Alguns indivíduos podem necessitar de injeções de tiamina para sempre a fim de evitar a recorrência de quadros de
deficiência. E tem uma pequena porcentagem de indivíduos com danos cerebrais irreversíveis que não conseguirão recuperar-se, tendo permanente perda de memória e dificuldade de aprendizado.

Como foi dito acima, o beribéri é uma condição séria que exige acompanhamento por toda a vida. A redução da ingestão alimentar com a presença de vômitos ou com a restrição imposta pela cirurgia podem causar deficiência de tiamina, responsável pela doença. Ingerir os suplementos e incluir em seu cardápio alimentos que sejam fonte de tiamina podem ajudar a evitar o quadro de deficiência. Se os sintomas de deficiência ocorrerem, procure seu cirurgião bariátrico imediatamente.




 

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E depois da gastroplastia? Como fica a pele? Ela volta a aderir? Será necessário fazer plástica? Quais os lugares do corpo em que a pele fica mais flácida? É possível a retirada das cicatrizes da gastroplastia através de uma plástica? Essa e muitas outras dúvidas serão respondidas aqui.

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A gastroplastia é uma cirurgia delicada , indicada somente pessoas com um alto grau de obesidade , chamada obesidade mórbida. Indivíduos com obesidade mórbida possuem IMC (índice de massa corporal) igual ou acima de 40. Calcule o seu IMC  e veja se você é um candidato à cirurgia.
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Queda de cabelo? Calma! Você não vai ficar careca, mas seu cabelo poderá cair muito. O desvio do intestino ajuda muito no processo de emagrecimento. Mas a má absorção de proteínas e vitaminas é a grande causadora da queda de cabelos em pessoas que já operaram. Leia mais ..