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Quando diz respeito à gastroplastia, existem duas palavras que são
sempre muito utilizada por operados: dumping e platô. Será muito
comum você ouvir frases do tipo "Tive um dumping danado hoje!" ou
"Estou em platô, não perdi nada esta semana..."
Vamos então verificar o significado destes dois termos.
SÍNDROME DE DUMPING
SÍNDROME DE DUMPING
Explicação Resumida
É a passagem
rápida do conteúdo gástrico, ou seja, dos alimentos presentes no
estômago, para o intestino, principalmente dos alimentos ricos em
açúcar. Os sintomas comuns são náuseas, fraqueza, suor frio
intenso, desmaios e diarréia após a alimentação. É necessário
evitar os alimentos ricos em açúcar.
Perguntas frequentes
sobre Dumping
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1. Todos que operam tem dumping? |
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Não. Não é regra
exata. Acontece com alguns e com outros não. Não dá para
saber se você terá dumping ou não. Somente após a cirurgia,
ingerindo os alimentos e verificando as reações que estes
causam em você. |
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2.
Como sei que estou tendo dumping? |
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Pelas sensações.
As mais comuns são: sonolência, taquicardia, suor frio e
moleza no corpo. Outras sensações são enjôos e diarreias.
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3.
Existe algum remédio que eu possa tomar para que as
sensações passem logo? |
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Não. Elas passam
após um tempo. O ideal é que você permaneça sentado ou
deitado, descansando e esperando as sensações passarem. |
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4. Quanto tempo duram as sensações? |
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Não existe um
tempo exato. Isto varia de pessoa para pessoa. Pode demorar
uns 10 a 15 minutos ou bem mais que isso. |
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5. Com quais alimentos posso ter dumping? |
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Qualquer
alimento rico em carboidratos, principalmente alimentos que
contenham um alto teor de açúcar como geléias, chocolates,
doces em geral. |
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6. Existe "cura" para o dumping? |
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É bom ressaltar
que o dumping não é uma doença e sim uma consequência de uma
alteração física (o desvio do intestino) originário da
gastroplastia. O que acontece é que, com o passar dos anos,
o paciente já conhece todas as reações que cada alimento
provoca e se disciplina, evitando aqueles que lhe causam
dumping. A grande maioria não se importa com o dumping que
passa a ser algo corriqueiro em sua rotina. O dumping poderá
acompanhar um paciente pelo resto de sua vida. |
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Explicação Detalhada
Introdução
Informações básicas. O estômago serve de ponto de recepção e
armazenamento do alimento ingerido. As funções primárias do
estômago são atuar como reservatório, iniciar o processo de
digestão e esvaziar seu conteúdo distalmente no duodeno de maneira
controlada. A capacidade do estômago nos adultos é de
aproximadamente 1,5 litros a 2 litros, e sua localização no
abdômen permite considerável distensibilidade.
A
síndrome de dumping pode ser separada em formas precoce e tardia,
dependendo da ocorrência de sintomas em relação ao tempo decorrido
depois de uma refeição. Ambas as formas ocorrem devido à oferta
rápida de grandes quantidades de sólidos e líquidos osmoticamente
ativos no duodeno. A síndrome de dumping é o resultado direto de
alterações da função de armazenamento do estômago e/ou do
mecanismo de esvaziamento pilórico.
A severidade da síndrome de dumping é proporcional à taxa de
esvaziamento gástrico. No período pós-prandial, a função do
estômago é armazenar alimento e permitir a digestão química
inicial por ácido e proteases antes da transferência de alimento
para o antrogástrico. No antro, contrações de grande amplitude
trituram os sólidos, reduzindo o tamanho das partículas de 1mm a 2
mm.
Uma vez que os sólidos tenham sido reduzidos ao tamanho desejado,
são capazes de atravessar o piloro. Um piloro intacto impede a
passagem de partículas maiores para o duodeno. O esvaziamento
gástrico é controlado por tono fúndico, mecanismos antropilóricos
e feedback duodenal. A cirurgia gástrica altera estes mecanismos
de vários modos.
A ressecção gástrica pode reduzir o reservatório fúndico,
reduzindo, assim, a receptividade do estômago a uma refeição.
Semelhantemente, a vagotomia aumenta o tono gástrico, limitando a
acomodação. Uma cirurgia, na qual o piloro é removido, derivado ou
destruído, aumenta a taxa de esvaziamento gástrico.
A inibição do esvaziamento gástrico pelo feedback duodenal é
perdida depois de um procedimento de derivação como a
gastrojejunostomia. O esvaziamento gástrico acelerado de líquidos
é fase característica e crítica na patogênese da síndrome de
dumping. A função da mucosa gástrica fica alterada com a cirurgia,
diminuindo as secreções gástricas e enzimáticas. Da mesma forma,
as secreções hormonais que sustentam a fase gástrica da digestão
são adversamente afetadas. Todos estes fatores se inter-relacionam
na fisiopatologia da síndrome de dumping.
Dumping precoce
Acredita-se que os sintomas da síndrome de dumping precoce (30 a
60 minutos após a refeição) decorram do esvaziamento gástrico
acelerado de conteúdo hiperosmolar para o intestino delgado. Isto
leva a desvios de líquido do compartimento intravascular para a
luz do intestino, resultando em distensão rápida do intestino
delgado e aumento da freqüência de contrações intestinais.
Demonstrou-se que a instilação rápida de refeições líquidas no
intestino delgado induz a síndrome de dumping em indivíduos
saudáveis. A distensão intestinal pode ser responsável por
sintomas GI como dor abdominal em cólica,
distensão
abdominal e diarréia. A contração do volume intravascular devido a
desvios de líquidos osmóticos talvez seja responsável pelos
sintomas vasomotores, como taquicardia e tonturas.
Esta hipótese tem sido questionada por várias razões. Em primeiro
lugar, a intensidade do dumping não se relaciona confiavelmente ao
volume de solução hipertônica ingerida. Em segundo lugar, a
infusão intravenosa suficiente para impedir a queda de volume
plasmático pós-prandial pode não abolir os sintomas do dumping.
A provocação com glicose oral em pacientes com dumping precoce, em
geral, causa aumento da freqüência cardíaca. Embora se espere
vasoconstrição num estado de contração de volume, os pacientes com
síndrome de dumping têm vasodilatação, relatada pela primeira vez
por Hinshaw e cols. A vasodilatação tem sido demonstrada por
alguns investigadores, mas não por outros. Foi descrito um aumento
do fluxo sangüíneo para a artéria mesentérica superior em
pacientes com síndrome de dumping. Esta resposta vasodilatadora
periférica e esplâncnica parece ser estratégica na patogênese do
dumping.
Dumping tardio
Ocorre dumping tardio de 1 hora a 3 horas depois de uma refeição.
A oferta rápida de uma refeição ao intestino delgado resulta em
concentração inicial alta de carboidratos no intestino delgado
proximal e rápida absorção da glicose.
Isso recebe oposição de uma resposta hiperinsulinêmica. Os altos
níveis de insulina são responsáveis pela hipoglicemia subseqüente.
Freqüência
Nos EUA. A incidência e a severidade dos sintomas na síndrome de
dumping estão relacionadas diretamente à extensão da cirurgia
gástrica. Há uma estimativa de que 25% a 50% de todos os pacientes
que têm sido submetidos à cirurgia gástrica têm alguns sintomas de
dumping. No entanto, relata-se que somente de 1% a 5% têm sintomas
incapacitantes. Relata-se que a incidência de dumping
significativo é de 6% a 14% em pacientes depois de vagotomia do
tronco e drenagem, vindo de 14% a 20% em pacientes depois de
gastrectomia parcial. A incidência de síndrome de dumping depois
de vagotomia gástrica proximal sem qualquer procedimento de
drenagem é inferior a 2%.
Mudanças na necessidade de cirurgia gástrica eletiva têm levado a
um declínio na freqüência de síndromes pós-gastrectomia. Ocorreu
uma redução de 10 vezes nas cirurgias eletivas para úlcera péptica
nos últimos 20 a 30 anos. Embora esta tendência precedesse o
advento dos antagonistas dos receptores 2 da histamina, estes
medicamentos e os inibidores da bomba de prótons têm acelerado o
declínio.
Os sintomas sistêmicos de dumping precoce são:
a.. Vontade de se deitar
b.. Palpitações
c.. Cansaço
d.. Iminência de desmaio
e.. Síncope
f.. Diaforese
g.. Cefaléia
h.. Rubor
Os sintomas abdominais de dumping precoce são:
a.. Sensação de plenitude gástrica
b.. Diarréia
c.. Náuseas
d.. Cólicas abdominais
e.. Borborigmos
Dumping tardio:
a.. Perspiração
b.. Tremores
c.. Dificuldade de concentração
d.. Diminuição da consciência
e.. Fome
Exame físico
A síndrome de dumping é diagnosticada com base em sintomas típicos
nos pacientes que foram submetidos à cirurgia gástrica. Os sinais
e os sintomas podem ser desencadeados com o teste do desafio da
glicose.
Sigstad desenvolveu um sistema de pontos de diagnóstico ao
ponderar os fatores alocados aos sintomas de dumping. Um índice
diagnóstico acima de 7 é sugestivo de síndrome de dumping.
O índice diagnóstico de Sigstad, indicando os sintomas e os pontos
designados a esses sintomas, é o seguinte:
a.. Choque: +5
b.. Quase desmaio, síncope, inconsciência: +4
c.. Falta de ar, dispnéia: +3
d.. Fraqueza, exaustão: +3
e.. Sonolência, bocejos, apatia, adormecimento: +3
f.. Agitação: +2
g.. Tonturas: +2
h.. Cefaléias: +1
i.. Sensação de calor, sudorese, palidez, pele pegajosa: +1
j.. Náuseas: +1
k.. Abdômen distendido, meteorismo: +1
l.. Borborigmo: +1
m.. Eructação: -1
n.. Vômitos: -4
Conclusão
A síndrome de dumping é complicação pós-cirúrgica comum depois de
cirurgia gástrica. Os sintomas de dumping produzem morbidade
considerável.
Felizmente, as indicações para cirurgia gástrica estão declinando,
embora a necessidade de cirurgia gástrica em casos de emergência
não tenha mudado.
Inicialmente, os pacientes com esta afecção devem ser tratados
clinicamente com modificações da dieta e octreotida. Deve ser dada
muita atenção ao estado nutricional do paciente. Se a conduta
clínica falhar em proporcionar alívio adequado dos sintomas,
deverá ser oferecida cirurgia para remediar com a compreensão de
que mesmo a intervenção cirúrgica pode não ser bem-sucedida.
Dieta: Proibições e instruções na dieta são muito importantes na
conduta para a síndrome de dumping.
A ingestão diária de calorias se divide em 6 refeições.
A ingestão de líquidos durante e com as refeições fica restrita. É
útil evitar líquidos por pelo menos meia hora depois de uma
refeição.
É melhor evitar açúcares simples.
Leite e derivados, em geral, não são tolerados e devem ser
evitados.
Como a ingestão de carboidratos fica restrita, a ingestão de
proteínas e de gordura deve ser aumentada para preencher as
necessidades energéticas.
A maioria dos pacientes tem sintomas relativamente leves e
responde bem às manipulações da dieta. Em alguns pacientes com
hipotensão pós-prandial, o decúbito dorsal por 30 minutos depois
das refeições pode adiar o esvaziamento gástrico e também aumentar
o retorno venoso, assim minimizando as chances de síncope.
A suplementação de fibras na dieta tem comprovado efeito no
tratamento de episódios hipoglicêmicos. Muitas terapias clínicas
têm sido testadas, incluindo pectina, goma de aguar e glucomannan.
Estas fibras da dieta formam géis com carboidratos, resultando em
demora na absorção da glicose e prolongamento do tempo de trânsito
intestinal.
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PLATÔ
PLATÔ
Com
a rápida perda de peso causada pela cirurgia, o corpo inicia um
processo de "proteção", armazenando todas as calorias, já que ele
- o corpo - começa a ser privado da grande quantidade de calorias
ao qual estava acostumado. Como conseqüência disto, há uma parada
na perda de peso, ficando o peso estacionado por um longo período,
até de meses. Os platôs geralmente ocorrem por volta do sexto mês
após a cirurgia. Porém podem ocorrer também antes, fazendo com que
a pessoa fique algumas semanas estacionada em um determinado peso.
Vale lembrar que o corpo NECESSITA de alimento e a falta dele
também pode gerar platôs.
Quando isto ocorrer, não é preciso se assustar. Basta continuar a
se alimentar e esquecer a balança por algum tempo. É comum ao
gastroplastizado tornar-se "sócio da balança", pesando-se 2 a 3
vezes por dia. Isso não é bom. Deixe que o seu corpo irá eliminar
os kg dentro da capacidade dele. Quando você menos esperar, estará
com muitos kgs a menos.
Se
os platôs permanecerem por muito tempo, consulte o seu médico e a
sua nutricionista.
Leia um texto de Fabíola Braga sobre o Platô
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