Página Inicial   Mapa do site   Todos os contatos do site

 
X

:: Copyright © 2003-2007 Gastroplastia.net :: Todos os direitos reservados ::

:: Proibida a reprodução total ou parcial deste site sem a prévia autorização da autora ::

 
 
 
Operados escrevem o seu relato e dão sua opinião a respeito da cirurgia. Depoimentos completos e  com fotos de antes e depois. Nem todas as cirurgias são tranqüilas. Confira todos os depoimentos.

 

 

LULY, A CRIADORA DO SITE


 
Luciane Miranda, ou Luly, é professora e pedagoga. Nasceu e mora na cidade do Rio de Janeiro, é casada e tem 36 anos. Quando optou pela gastroplastia pesava 104,5 kg, muito para sua baixa estatura (1,56m) e formas generosas. Sua cirurgia foi realizada em 25 de março de 2003. Desde então, sua vida mudou radicalmente. 

 

 

MEU 1º RELATO

 

28 de Julho de 2003

Nasci em 27 de setembro de 1970. Me chamo Luciane. Sou professora, moro na cidade do Rio de Janeiro. Não sou casada e nem tenho filhos.

Fui uma criança magra, sempre no peso ideal, até os 11 anos de idade, quando desencadeei um processo de ganho de peso. Aos 12 anos era uma pré-adolescente gordinha, que usava trancinhas no cabelo e muito tímida.

A obesidade atrapalhou muito a minha adolescência. Minha timidez, por ser diferente das outras meninas, fez com que eu me afastasse, de certa forma, da vida social na época. Aos 15 anos conheci um orfanato através da minha prima Renata e aos 17, passei a freqüentar o local com assiduidade e a fazer parte da equipe durante os 15 anos seguintes da minha vida. Era professora lá.

Eu me trancava neste lugar, onde me sentia muito bem, muito querida e não sofria preconceito pela minha obesidade. Fui, então, engordando cada vez mais. Meus relacionamentos amorosos eram esporádicos pois eu ainda não havia descoberto a mulher dentro de mim. Isso veio a ocorrer por volta dos 25, 26 anos. Descobri o quanto eu podia ser sensual, o quanto era inteligente, divertida e que, além de tudo, tinha charme. Comecei a me relacionar com vários homens, mas nada exagerado e nada que fosse sério.

Com 26 conheci um rapaz de outra cidade pela Internet e nos apaixonamos de primeira. Ficamos nos relacionando via chat por cerca de 5 meses até resolvermos nos encontrar. Foi maravilhoso! Nesse período iniciei mais um dos meus inúmeros regimes.

Dietas? Conheço todas! Todo obeso conhece. Dieta dos pontos, da sopa, das frutas, dos sucos, da lua, do sol, das estrelas... Tudo que você pode imaginar. Mas nada fez o efeito esperado. Eu chegava a emagrecer. Mas recuperava tudo outra vez em pouco tempo. E lá estava eu, obesa, mais uma vez!

Isso me incomodava. As piadinhas dos outros, os olhares que recriminam, as roupas que nunca ficam bem em você e geralmente nem cabem, o espaço no banco do ônibus ou no carro dos amigos (já reparou que o obeso tem sempre que ir na frente?), as roletas, a praia, cadeiras de bar (aquelas branquinhas de plástico)... essas cadeiras eram um problema! Nunca caí com elas, mas sempre morri de medo que se abrissem e eu caísse na frente de todos.

O mundo não é feito para os obesos. A sociedade não permite que seja assim. Quando muito, fazem algo pelos deficientes físicos. E fazem muito pouco, por sinal! Mas pros obesos, nem pensar. As pessoas que nunca passaram por esse tipo de problema se esquecem que o obeso é um doente e não um "sem vergonha". Sim! É uma doença! Você não deixa de ser um viciado em comida. Como um viciado em drogas. Eu me via assim. Era viciada em comer. Se eu não comesse, eu ficava irritada, me sentia fraca, mal, e acabava por comer o dobro do que comeria se não tivesse me podado. Fora que quando você atinge um determinado peso, por um longo período de tempo, fica quase impossível perder todo o excesso através de uma dieta de baixas calorias. Se você consegue, geralmente recupera tudo outra vez. E não era isso que eu queria para mim.

Em junho do ano 2000, minha mãe desencarnou (faleceu) de Edema Pulmonar. Foi um choque muito grande pra mim, apesar de não demonstrar isso a ninguém e sofrer calada. Afinal de contas, como uma espírita, deveria dar o exemplo e mostrar tudo que eu aprendi ao longo desses anos todos de doutrina (conheci o Espiritismo com 7 anos de idade). Com certeza o Espiritismo me deu consolo e base para conseguir sobreviver sem minha mãe. Mas, descontei na comida.

No início de 2002, fui mandada embora do meu emprego no Orfanato, que trabalhei e dediquei 15 anos da minha vida. Foi de uma forma bruta e injusta. Toda a equipe pedagógica foi mandada embora por falta de verbas (foi o que alegaram, mas sabíamos que havia muito mais por trás disso, como uma "guerrinha de poderes" entre membros da diretoria). Isso acabou comigo. Eu fiquei sem chão. Sem meu segundo lar.

Essa sucessividade de perdas me fez perder a noção. Desandei a comer sem parar. Não saía de casa, somente para ir à Faculdade, e virava noites pendurada na Internet. Atingi o auge do meu peso: 104,5 kg. Esse peso fez um grande efeito sobre o meu corpo já que sou de estatura baixa, tenho 1,56m. Me sentia infeliz, gigante. Todas as roupas ficavam apertadas em mim e caíam mal. Me sentia feia e espaçosa. Estava com um IMC de 43.

Eu já conhecia a Gastroplastia através da televisão. Era meu sonho poder fazer algo parecido. Achava que era super simples e minha vida se resolveria como num passe de mágica. Uma vizinha minha, Monalisa, fez a cirurgia. Eu não sabia. Fiquei uns 3 meses sem vê-la e, quando vi, tomei um susto!! Perguntei logo qual era a dieta que ela havia feito. Ao que ela respondeu sorrindo: "Eu reduzi o estômago!". Meus olhos brilharam! Eu queria saber tudo a respeito. Perguntei tudo e ela, paciente e empolgada, ia me incentivando a seguir pelo mesmo caminho. Até hoje, quando nos cruzamos na rua, ela se emociona ao me ver. Ela está com 4 anos e meio de operada e está magrinha e saudável!

Resolvi procurar na Internet assuntos relacionados. Encontrei alguns médicos. Decidida, marquei consulta com um deles. Adorei! Fui à Reunião mensal, conheci várias pessoas operadas, entrei para uma lista de discussão por e-mails, tirei dúvidas, conversei, procurei outros médicos até encontrar o Dr. Jorge Luíz Monteiro, meu médico. O Dr.Jorge opera por videolaparascopia, a técnica que eu queria. No dia 25 de março eu entrava na sala de cirurgia para me operar por By Pass em Y de Roux (Capella sem anel).

Lembro-me do medo que senti dentro daquela sala gelada e cheia de aparelhos. Eu tremia de frio e de medo. Mas a equipe estava calma, brincavam entre si, me confortavam e tratavam com carinho. Apaguei. Acordei no CTI pós-operatório, onde fiquei por 5 dias em observação por causa de uma febre e falta de quarto. Descobriram depois que a febre era de uma infecção urinária. Eu me sentia ótima! Não senti nenhuma dor nos cortes ou abdômen. Fui pra casa 8 dias depois.

Fiquei anêmica. Foi horrível! Eu não conseguia dar 5 passos sem ficar arfante. Para andar até o quintal da minha casa, meu irmão colocava uma cadeira no meio do caminho para que eu sentasse. Eu ficava apática, triste, sentada na sala de tv da minha casa, sem vontade e forças para levantar. Tive uma crise violenta de tosse causada pela anestesia geral, garganta doendo por causa do tubo, fiquei muito mal nos 2 primeiros meses. A dieta de líquidos não me incomodou em nada. Eu nem agüentava beber tanto. Eram 2 a 3 dedinhos de líquido de 30 em 30 minutos. Durante 1 mês. Mas eu não sentia fome. Até hoje não sinto. No terceiro mês eu estava recuperada da anemia, sem a tosse, me sentia relativamente bem, apesar de fraca. Voltei às minhas atividades normais. Sentia os quilos se esvaírem como água. Mas só me preocupava com a minha saúde. Não entendia porque certas pessoas ficavam tão bem logo após a operação, sem ter nenhum tipo de doença.

Vomitei muito nesse período e fiz vários exames para descobrir a causa dos vômitos. Estava tudo normal dentro de mim. Eu é que não sabia comer direito. Após esta cirurgia, temos que nos reeducar completamente em relação à alimentação. Temos que aprender a comer saudavelmente, comidas que sejam leves, de fácil digestão. Temos que comer lentamente e mastigando muito bem. Quanto mais pastosa a comida ficar, melhor será para o estômago trabalhar sobre ela. Do contrário, é vômito na certa.

Hoje em dia, 4 meses após a operação, consegui eliminar do meu corpo 30 kg. Me sinto muito diferente, apesar de ainda me sentir fraca devido à pouca alimentação. Me estranho ao olhar no espelho. Meus amigos não me reconhecem e só tem elogios. As paqueras aumentam a cada dia. Me sinto bem, as roupas cabem em mim. Consigo vestir roupas das minhas amigas. Minha família me parabeniza e quer me acompanhar nesse processo. O interesse de todos é comovente. Não me arrependo do que fiz. Sofri nos primeiros meses, mas me sinto bem agora. Ainda vomito e me sinto fraca pois como muito pouco, mas estou bem. Saio pra dançar, vou à festas, viajo, passeio com meu cachorro, enfim! Levo uma vida quase normal. Digo "quase" porque como pouquíssimo ainda. Bebo muita água e tomo a minha vitamina (o Centrum) diariamente. Uma vez por mês tomo uma injeção de vitamina B12 (ferro, para evitar a anemia). Não dói e não me incomoda tomar. Sem contar que o farmacêutico que aplica a injeção é uma gracinha... ;o)

O mais engraçado é que tudo ocorreu sem passar fome. Foi tudo natural. Você não come porque não quer. Você se adapta. Se sacia com muito pouco. Nunca teria conseguido isso numa dieta normal.

Consigo comer qualquer coisa, só que em quantidade bem menor. Até doces! Nunca tive Dumping. Certa vez comprei um mousse de chocolate, que sou viciada. Demorei simplesmente 7 dias para comer o mousse todo. Sério! Tudo está diferente dentro de mim. Inclusive a preferência por alimentos leves e ricos em proteínas. Preciso manter meu corpo erguido.

Enfim, estou satisfeita com a operação e recomendo para aqueles que estão com o IMC de 40 para cima, contanto que haja muita consciência e respeito por todos os procedimentos que se iniciam na pesquisa e entendimento do assunto. E que fique claro uma coisa: isso não é uma brincadeira! É uma mudança RADICAL na sua vida. Pense muito bem antes de fazer e escolha um médico que você realmente goste, inclusive a equipe dele, pois você terá que conviver com eles para o resto de sua vida.Não escolha um médico apenas pela indicação. Escolha porque você gostou dele. E tenha paciência, pesquise bastante e não se apresse. Esse tempo é necessário à você.

Abraços e boa sorte na sua escolha!

LULY

Leia também: Um ano depois. O que mudou na minha vida com um ano de gastroplastia. As lembranças de um passado agora distante, as novidades, as descobertas.

 

 


UM ANO DEPOIS

MEU 2° RELATO - 1 ANO DEPOIS

 

 Março de 2004

Nossa, como passa rápido...

Parece até que foi semana passada que entrei, deitada na maca, no centro cirúrgico. Lembro que pensei em sair correndo, tamanho o medo que me atingiu naquele momento. Se antes eu estava calma, brincando e aparentemente despreocupada, naquele instante eu estava gelada. De medo e de frio! O centro cirúrgico estava com o ar-condicionado ligado no máximo.

Eu mal ouvia o que a equipe do Dr.Jorge comentava. Lembro apenas que eram todos muito brincalhões, estavam descontraídos com a certeza de que sabiam o que iriam fazer, o que me passou a segurança que eu estava necessitando naquele momento.

Antes de continuar a história, faço aqui um pequeno Flash Back...

Eu tinha 15 anos de idade. Estava parada no ponto de ônibus da esquina da General San Martin com a Carlos Góes, no bairro do Leblon, aqui no Rio de Janeiro. Vestia um casaco amarelo, "roubado" do armário do meu irmão. Estava parada no ponto, distraída, pensando em chegar logo em casa para poder almoçar um bom prato de comida. Batata-frita de preferência. Mas alguma coisa me despertou dos devaneios. Meu sangue gelou. Coração disparado, medo estampado no olhar, avisto um ônibus de excursão. Pendurados nas janelas, vários adolescentes gritavam. Senti que, naquele momento, eu seria alvo de mais uma humilhação, coisa tão freqüente na vida de um obeso. Olhei para os lados. Pensei em sair correndo. Teria algum buraco no chão para eu me esconder? Não tinha. O ônibus se aproximando. Fui ficando pequenininha diante daquele imenso ônibus lotado. A humilhação começou:

"Gordaaa!!! Bujão!!!"
"Rolha de poço!!!"
"Rainha Moma!!!"

Eu não sabia o que pensar, não tinha nada a dizer. Eles eram muitos. E eu... era só uma gorda, parada no ponto de ônibus. Baixa estima, agredida verbalmente e inocentemente. Era apenas uma criança de 15 anos que não sabia como se defender.

Senti algo bater de leve no ombro do casaco amarelo. Não olhei. Esperei que o ônibus se afastasse. Um pouco distante, um porteiro me olhava com ar de pena. Não encarei. Me sentia envergonhada. Olhei o casaco. Vi o cuspe que escorria até a manga. Não entendia porque. Não bastasse os xingamentos, um deles ainda teve que cuspir em mim. Fui para casa me sentindo um inseto. Me tranquei no quarto e chorei, jogada em minha cama, sozinha. Chorei muito. Lavei o casaco amarelo com água fervendo, mas nunca mais tive coragem de usá-lo. Para mim ele estava associado às más lembranças.

...

Olhei para o Dr.Jorge na sala de cirurgia. Será que eu estaria fazendo a coisa certa? Eu mal conhecia aquele homem e estava entregando a minha VIDA nas mãos dele, de bandeja... a bandeja fria que é a mesa de operações. Mais aí era tarde demais. A vista começou a turvar. As vozes foram ficando longe. A anestesia estava fazendo efeito.

Acordei horas depois. Lembro de coisas confusas, imagens sem sentido. Novamente adormeci. Acordei pela segunda vez. Me sentia bem. Olhei os aparelhos. A enfermeira se apresentou. Eu estava no CTI. Nenhuma dor.

Lembro de quase tudo com detalhes: o primeiro copinho de suco de maçã, bebido com medo, mas sem o menor problema na ingestão. Os enfermeiros maravilhosos do CTI do Barra D'Or. Fui visitá-los 6 meses depois. Eles ficaram muito felizes em me ver mais magra e saudável. As visitas rápidas de pessoas queridas. O tédio e a depressão de ficar em um CTI.

Fui para o quarto 5 dias depois. Tive que ficar em observação por causa de uma febre e falta de quarto no hospital. Descobriram depois que a febre vinha de uma infecção urinária. Dr.Jorge chegou até a pensar na possibilidade de fístula, porém, após vários exames, eu, GRAÇAS A DEUS, não tinha nada demais.

Feliz da vida, já no quarto, me preparei para tomar o meu primeiro banho descente, após 5 dias tomando "banho de gato" no CTI. A água estava maravilhosa! Não me importei com a advertência dada pelo meu medico: "Tome banho com a ajuda de uma enfermeira!". Que nada! Eu me sentia ótima! Queria distância de enfermeiros! Queria ficar sozinha, tomar banho sozinha, ser auto-suficiente. Resolvi lavar a cabeça. Estava feliz da vida até que... PLOFT! Fui de bunda no chão, desmaiada. Devo ter acordado segundos depois. Levantei com dificuldade, tonta, segurando o dreno e com medo de ter prejudicado a cirurgia. Maldita hora que não dei ouvidos ao meu médico!!! Era o óbvio. Passei 5 dias seguidos deitada. Claro que não podia fazer tanto esforço de uma vez só. Mas, teimosa, me sentindo muito bem, acabei me dando muito mal. (risos)

Voltei para o quarto andando devagar e deitei na cama. Meu pai, que era meu acompanhante do dia, dormia feito um anjo. Eu podia estar morta no banheiro que ele nem ia notar! hahahaha. A tontura foi passando e logo voltei ao normal. No dia seguinte chamei uma enfermeira para me ajudar no banho...

PARTE II - A PRAIA VISTA DE UM NOVO PRISMA

Eu corria pro banheiro, Dani desfilava em frente ao espelho do quarto, Ana preparava um sanduíche para mim... era uma manhã de domingo. Seria a primeira vez que eu iria à praia de biquíni. Estava com vergonha. Mas estava tudo direitinho no meu corpo. As pernas meio flácidas talvez, as pequenas cicatrizes, do qual não me envergonho...mas nada que me tornasse um ET. Me vesti e fui com minhas amigas para a praia do Leme, no Rio de Janeiro. Posto Zero.

Sentada na cadeira de praia, tomando sol, eu olhava as pessoas ao meu redor. Ninguém me encarava com aquele ar de reprovação ao qual eu estava acostumada. Eu era apenas mais uma ali na praia. Não uma obesa mórbida. Não era diferente de ninguém. Chamei pela Ana e comentei: "Quem diria... eu na praia, de biquíni, e não com aqueles maiôs enormes!". Ela sorriu e completou: "É minha amiga, e isso é apenas o começo!"

PARTE III - VOCÊ X SOCIEDADE

Você se acostuma a ser magro. No início as coisas ficam meio confusas na sua cabeça. Você sempre acha que não vai caber naquele espaço pequeno, ou que a roupa vai ficar apertada, ou que a cadeira vai cair... mesmo tendo perdido 48 kg. Mesmo estando vestindo número 40. Mesmo pesando 56,5 kg. Então, aos poucos, você vai se habituando a caber, a entrar nas roupas, a sentar a vontade pois a cadeira não vai mais cair. Você se habitua com o espelho. Antes é uma guerra! Você passa diante do espelho e volta para olhar outra vez e confirmar que aquela imagem é realmente a sua. Então você faz caras e bocas, mexe nos cabelos, ajeita a roupa e pensa: "Potz! Sou eu mesma! E eu tô linda!"

Seus amigos não te reconhecem. Olham pra você, olham outra vez e mais uma vez. Olham toda hora. Você ri. Vai se acostumando pois até eles se habituarem ao seu "novo eu" será assim. Com seus familiares é assim também. Mesmo os que vivem na mesma casa que você.

Os elogios chegam em abundância. E você nunca se acostuma, sempre se envergonha e se sente lisonjeado. Na rua, você não se sente mais um bicho acuado. A rua é toda sua, você se torna mais espaçoso do que era quando obeso. Você agora tem segurança. A auto-estima está alta. Você pode comprar um pão doce e ir comendo no meio da rua que ninguém te olha com ar reprovador.

Você deixa de ouvir piadas de gordos para ouvir gracejos como: "gata", "linda", etc. Aquele gato que nunca olhou para a sua cara quando você era obesa e ignorava a sua humilde existência agora quer o seu número de telefone. E você pode dizer a ele, de boca cheia, que você tem namorado. E ainda, de quebra, pode ver a cara de decepção do gato! ;o) (Ah, diz que não é engraçado!)

Você se sente normal em todos os aspectos: normal entre a multidão, normal para um exercício físico, normal para comprar roupa em qualquer loja.

Comprei 2 vestidos tamanho P em uma loja de marca num shopping aqui do Rio. Mas o importante pra mim não é a marca. Sempre comprei e compro roupas em lojas baratas, feirinhas, subúrbio, etc. Não ligo se é chique ou não. Caro ou barato. O importante é que eu goste e me sinta bem com a roupa. Mas o que valeu pra mim foi ter comprado 2 vestidos em uma loja que não fosse as de sempre: C&A, Renner, Marisa, Leader, onde encontramos roupas de todos os tamanhos. Nessa loja o tamanho máximo era 44. E olhe lá! Onde eu conseguiria comprar uma roupa ali há um ano atrás, vestindo 50/52?!

É... muita coisa muda. Mas sabe o que eu mais ganhei nisso tudo? Meus valores! Agradeço a Deus pela oportunidade de ter sido obesa. Por tudo o que aprendi com isso. Pela pessoa que me tornei interiormente. Foi uma lição dolorosa, mas valeu o aprendizado. Hoje em dia consigo ser bela por dentro e por fora. Tenho meus defeitos, claro. Mas sei, também, das minhas qualidades.

Mas é muita coisa que se passa nesse período. Não pense que tudo são flores. Eu sempre fui muito sincera a este respeito e nunca camuflei a verdade. A fraqueza me dominou por longos 7 meses. Eu não tinha forças nem para subir em um ônibus. Vomitei muito por meses a fio. Senti vontade de comer, sem poder. Essa cirurgia é complicada e não é um mar-de-rosas. Não é a solução rápida para a realização do seu sonho de ser magra (o) e linda (o). Portanto, PENSE MUITO antes de fazer. E esteja pronta (o) para agüentar as conseqüências.

PRÓLOGO

Ha um mês mais ou menos eu estava parada no ponto de ônibus. Não era no Leblon, era em Jacarepaguá. Ia à dentista. Um grupo de adolescentes se aproximou do ponto. Olhei-os despreocupadamente. Mantive minha vista para frente. Estava com pressa, tinha hora marcada e o ônibus não vinha. De canto de olho, vi que os adolescentes cochichavam entre si, me olhando. Não me preocupei. Tinha coisas mais importantes para pensar. O ônibus chegou. Tive que andar até ele, passando ao lado do grupinho de adolescentes. Ouvi:

"Muito gata...!"

Subi no ônibus. Intimamente eu sorria. Foram precisos mais de 15 anos e uma cirurgia para que eu conseguisse superar o meu trauma. Hoje falo disso sem problemas. E tenho a certeza agora de que, umas das melhores coisas que fiz por mim, talvez a melhor de todas, foi ter entregue a minha vida nas mãos daquele quase desconhecido, hoje um grande e querido amigo, a quem muito admiro e agradeço... meu médico.

A vocês, que passaram por tudo o que eu passei e que pretendem operar, desejo toda a felicidade do mundo! E que Deus os guie nessa escolha.

Grande beijo!

LULY

 

 

 


FAQ 1

FAQ - Perguntas mais freqüentes

Tenho recebido um grande número de e-mails por causa deste site. Muitos fazem perguntas semelhantes ou iguais. Por este motivo resolvi montar um FAQ, esclarecendo algumas coisas para facilitar a vida dos meus visitantes. Qualquer dúvida, pode me escrever que eu respondo.

1. Qual é o seu plano de saúde?
x
Quando operei, meu plano era a Sul América, Especial I (produto 445).
x
2. Seu plano de saúde cobriu toda a operação?
x
Não. Meu plano cobriu parte da operação. Cobriu todo o hospital e os instrumentos utilizados pelo médico. Também cobriu anestesista (por reembolso). Tive que pagar por fora. Mas existem planos ou produtos que cobrem TODA a operação, sem que o paciente necessite desembolsar absolutamente nada.
3. Em que hospital você operou? O que achou do local?
x
Operei no Hospital Barra D'Or, na cidade do Rio de Janeiro. Gostei muito, fui muito bem tratada, principalmente pela equipe de enfermeiros do CTI. Nota mil!
x
4. Seu médico aceita quais planos de saúde?
x
Não sei informar. Sei que ele aceita os planos mais conhecidos e alguns outros também. É mais fácil você entrar em contato com ele por e-mail: jorgemonteiro@jlmonteiro.com.br 
x
5. Como foi o período de dieta líquida?
x
Foi tranqüilo aturar os líquidos. Eu até cheguei a enjoar de beber tanto. Não senti fome em nenhum momento. Mas me sentia muito fraca. Foi nesse período que tive anemia.
x
6. Você já entalou alguma vez?
x
Nunca. E nem vou. Minha operação não tem anel. Fiz By Pass em Y de Roux.
x
7. Quantas vezes você teve Dumping e como foi?
x
Graças a Deus, nunca tive Dumping. Já comi de tudo: massas, frituras, carboidratos, vários tipos de doces, chocolate... não é todo mundo que tem dumping. Depende do metabolismo.
x
8. Seu cabelo caiu? Quando? Caiu muito?
x
Sim. E caiu bastante. Começou no quarto mês, se não me engano. Parou de cair com mais de 1 ano de cirurgia. Atualmente (mais de 2 anos e meio) ele não cai mais.
x
9. Sua pele está ressecada?
x
No terceiro mês de operação fiquei com a pele horrível, oleosa e cheia de espinhas. Passei a usar hidratante d'O Boticário e a fazer limpeza com um produto da Payot. Melhorou muito! Ainda tenho algumas espinhas (minha pele sempre foi oleosa com tendência à cravos), mas nem se compara.
x
10. Suas cicatrizes são grandes? Aparecem muito? Dá pra usar biquíni?
x
Tenho 6 pequenas cicatrizes. Pode-se vê-las bem olhando de perto. Tirei algumas fotos de biquíni onde as cicatrizes nem aparecem. Fiquei até procurando (estão na parte de Fotos deste site). Sim, da pra usar biquíni, mas e recomendável que se coloque esparadrapo sobre as cicatrizes evitando que elas peguem sol. O sol escurece a cicatriz e a marca fica feia.
x
11. Sua menstruação regularizou após a operação?
x
Sim. Agora ela vem todo meio do mês.
x
12. Seu desempenho sexual melhorou após a operação?
x
Meu desempenho continua bom como sempre foi (hehehe)! O que melhora é a sua mobilidade. Você consegue fazer mais posições pois está mais leve e flexível. E como seu corpo está mais bonito e mais firme, sente menos vergonha de se exibir para o parceiro.
x
13. Posso linkar seu site?
       Posso fazer propaganda do seu site?
       Posso indicar seu site?
x
Acredito que quanto mais pessoas estiverem informadas e forem incentivadas, melhor. Sim, você pode linkar e fazer propaganda. Eu agradeço a sua colaboração. :o)
x
14. Quanto tempo demorou pra você voltar às atividades normais?
x
Eu demorei 45 dias por causa da anemia, tosse, infecção urinária... mas lembre-se que isso é muito relativo! Varia de pessoa para pessoa. Alguns se recuperam excelentemente bem. Outros demoram mais.
x
15. Conhece alguém que tenha morrido por causa desta  operação? Quais foram os motivos?
x
Conheço 4 pessoas. Uma li numa reportagem. Parece que ela não tinha IMC suficiente para operar. Outras duas faziam parte da lista de e-mails que participo. Ambas tiveram a mesma complicação: dobra do intestino. E um rapaz que operou no dia seguinte a mim e faleceu por causa de Fístula (quando os grampos se rompem e vasa o líquido do estômago). Agora me pergunte se conheço pessoas que VIVERAM após essa operação. Sim, centenas! Lembre-se que risco de vida existe em qualquer tipo de operação. E existe também pra aquele que está com obesidade mórbida.
x
16. Está satisfeita com a operação?
x
Muito! Hoje em dia adoro me olhar no espelho. Coisa que não gostava de fazer antes.
x
17. O que mudou na sua vida após essa operação?
x
Muita coisa. Hoje sou mais confiante, me sinto bonita, perdi a vergonha do meu corpo. Como disse antes, adoro me olhar no espelho, não tenho mais medo de roletas ou cadeiras, sou muito paquerada, não vivo em função da comida. Tô mais vaidosa, gosto de estar bem arrumada (sem exageros porque nunca fui de exagerar na vaidade). Sempre aparentei ser mais nova do que a minha real idade e hoje aparento menos idade ainda. Ainda tenho fraquezas por causa da pouca alimentação então, subir em ônibus,pra mim, é muito sacrifício. Aliás, escadas também. Tudo que eu tenha que fazer um esforço a mais, utilizando a minha força física. Mas nem por isso deixo de fazer.
x
18. Faria a operação outra vez?
x
Faria. Só que ia passar 1 semana comendo muito, tudo o que eu amo e em grandes quantidades, hahaha. Sabe como é, posso ter emagrecido, mas a cabeça (o psicológico) não mudou muito não. "Corpo de magro x Cabeça de gordo". Sem contar que comer é muito bom! É um dos maiores prazeres da vida na Terra, né verdade?
x
19.  Quantas gramas você consegue comer em uma refeição?
x
Resposta dada em Julho/2003 (4 meses de operada):
x
Bom, não sei especificar a medida, mas meu cardápio é bem simples:
ao acordar: 1 copo bem gelado de água (250ml em média) + Centrum (a vitamina diária)
café-da-manhã: 2 fatias de pão integral ou 1 pão francês com queijo, manteiga, patê ou blanquet de peru; 3 dedos de café com leite (com adoçante ou açúcar) ou nescau. Ou nem bebo nada.
almoço: 1 colher de sopa de arroz (ou duas, depende do "humor" do meu estômago) ou macarrão, 1 colher de sopa de legume , 1 bife pequeno ou metade de um hamburger da sadia ou 1 filé de peixe pequeno ou galinha desfiada. Se tiver o feijão, boto o caldo só. Sempre como de tudo mas em pouquíssimas quantidades. Tipo: metade de um ovo frito, metade de um hamburger, metade de uma panqueca...sempre metade, hehehe.
durante a tarde: MUITA ÁGUA!
lanche: se lancho, é biscoito, pão com queijo ou biscoito de polvilho.
jantar: prefiro lanchar. Na casa do Léo eu janto normalmente e não passo mal. Em casa, prefiro comer pão de forma (sem a casca) com patê ou biscoito. Raramente janto comida de sal.
até a hora de dormir: água! Adoro!!
x
Resposta dada em Outubro/2004 (1 ano e 6 meses de operada):
x
Consigo comer em torno de 230 a 250gr. Em média seria algo em torno de 2 colheres de sopa de arroz, feijão, um bife pequeno, macarrão. Evito os refrigerantes por me encherem de gases. Tomos quase 2 litros de limonada (com adoçante) por dia. Consigo comer até 2 pães francês SEM miolo, MAS NÃO FAÇO! Eu disse que CONSIGO pois já comi, certa vez, quando estava muito faminta (hehe).
Não faço uma dieta, como o que tenho vontade, até doces, chocolates e biscoitos. PORTANTO, não sou exemplo pra ninguém! Não faça como eu. Lembre-se que tenho 1 ano e meio de operada, já perdi tudo o que tinha que perder e estou apenas mantendo o meu peso. Siga as orientações da sua nutricionista e obedeça o seu médico. Só assim a sua cirurgia trará os resultados desejados e te devolverá a sua saúde.
Resposta dada em Outubro/2006 (3 anos e 6 meses de operada):
Consigo comer muito bem. Nunca exagero em um prato de comida de sal por realmente não conseguir. Como o suficiente para me sentir bem. No máximo 300 gr. Mais do que isto me sinto lotada e acabo vomitando. Meu grande problema é que como de tudo, inclusive doces (minha paixão), o que já me fez engordar várias vezes, me obrigando a fazer dietas para voltar ao peso adquirido após a cirurgia. Após 2 anos de cirurgia, seu corpo volta ao normal e seu metabolismo age como antes. A tendência a engordar não desaparece com a cirurgia. Portanto, muito cuidado ou você terá operado em vão.
x
20. Você tem intolerância a algum alimento?
x
Não.Tenho intolerância a certos horários de comer. Por exemplo, à noite, não é qualquer coisa que cai bem. De manhã consigo comer super bem. Coisas que seriam "pesadas" pra mim, não me dão enjôo, como, por exemplo, pão-de-queijo. Como arroz e macarrão numa boa. Carne, só durante o dia. À noite me faz mal, me sinto estufada e parece que não tem espaço pra mais nada. Queijo cai bem, pão também. Biscoitos, é tranqüilo. Qualquer tipo! Como adoro beber água e estou sempre bebendo, vivo me lotando de líquidos, o que faz faltar espaço pros alimentos, às vezes. A única coisa que não me dá vontade de ingerir, hoje em dia, são os refrigerantes. Eles me dão muito gases. Mas posso bebê-los, se quiser. Apenas não faço e prefiro a minha limonada.
x
21. Doeu para tirar o dreno?
x
Não chega a ser uma dor. É uma sensação estranha. Afinal de contas o dreno esta ligado ao seu estômago. O médico vai puxando tudo de uma vez só e você vê o tamanho do tubinho. É bem longo! Sente um desconforto. Mas passa assim que sai tudo. Quando meu médico tirou o meu dreno, levei um susto e gritei: "Ai, ai, ai!" - mas não era dor. Acho que foi do susto e do incômodo. Reclamei com ele: "Doeu, viu!". Ele brincou, olhando pro meu pai: "O senhor sentiu alguma dor?" - e meu pai: "Eu não..." Dr.Jorge completou: "Eu também não..." ;o)
x
22. O que você fez pra não precisar fazer plástica?
x
Quem disse que não preciso? Não ter feito plástica não significa que não preciso. Não fiz porque não tenho dinheiro pra gastar nisso agora. Mas gostaria muito de fazer, nos culotes, barriga (esticá-la ao máximo), pernas...
x
23. Você faz algum tipo de exercício físico?
x
Adoro nadar e caminhar, mas não são exercícios feitos com freqüência. Tenho piscina em casa e sempre que posso faço exercício nela para os braços, seios, barriga e pernas. Faço também 40 min de bicicleta ergométrica por dia.
x
24. Você recomenda esta cirurgia?
x
Recomendar essa cirurgia é muito delicado. Ela me fez muito bem, apesar do início ter sido bem turbulento para mim. Mas o meu caso é o meu caso. A minha experiência é a minha experiência. Então não é bom que você que deseja operar tire a mim, ou qualquer outro operado, como exemplo. Você tem que ter as suas próprias experiências para tirar as sua conclusões. Eu tive um pós-operatório complicado, mas fiquei ótima depois. Outros não tiveram o menor problema. Outros tiveram problemas muito piores que o meu e ainda sofrem com eles até hoje. E outros, não conseguiram sobreviver a cirurgia. Não vou falar de estatísticas aqui pois não vem ao caso. O que importa aqui é o que pode ou não acontecer. Portanto, pense bem, avalie e tome a decisão por conta própria. Se você já estiver decidida (o), boa sorte! Vá com fé, coragem e pensamento positivo. Se você ainda estiver em dúvida, continue pesquisando, refletindo, lendo, perguntando, até que possa realmente se decidir. Portanto a minha única recomendação é a INFORMAÇÃO, a PESQUISA, a ANÁLISE, e a DECISÃO POR CONTA PRÓPRIA.
x

 

 

 


FAQ 2

 

Como já era de se esperar, tenho recebido e-mails e mais e-mails de pessoas curiosas em relação à cirurgia e seus resultados. Outras me procuram pelo MSN e tentam esclarecer suas dúvidas. Mas a maioria das pessoas me perguntam como tem sido a minha vida pós-cirurgia. Resolvi abrir esse espaço para esclarecer essa curiosidade e mostrar um pouco para vocês como as coisas realmente mudam em nossa vida.

Selecionei, então, umas perguntinhas que poderão ser úteis a você, que está interessado (a) em fazer a Gastroplastia.

1 ano depois...

Data: Março/2004
Idade: 33 anos
Altura: 1,56m
Peso anterior: 104,5 kg
IMC anterior: 43 - Muito acima do peso. Obesidade mórbida.
Peso atual: 56,5 kg
IMC atual: 23.3 - Peso considerado normal.
Total perdido: 48 kg
Meta: 56 kg

*** LULY RESPONDE ***

- Como está sua vida hoje? (Maria Fernanda)

Minha vida hoje está tranquila. Mas existem certas providências que não posso deixar de lado como: tomar minha injeção de ferro mensalmente. Sempre fui anêmica, por isso, depois da operação, tenho que tomar essas injeções para não cair dura, já que a absorção do meu novo intestino é reduzida. Preciso repor o que perco de vitaminas, proteínas, etc.

No resto... quer detalhes? (pra você se animar bastante, hehehe)
 
1. Estou vestindo 40 com cintura 38 (minha cintura é fina)
2. Meus biquínis (SIM! BIQUÍNI! VIVAAA!!!) são tamanho M ou P.
3. Ando na rua sem ser olhada com deboche ou preconceito.
4. Ando na rua e os homens olham pra mim com admiração, buzinam, param para falar comigo.
5. Posso subir no ônibus tranquila. Não vou entalar na roleta e nem ocupar tanto espaço no banco ou no ônibus cheio.
6. Gosto de me olhar no espelho! Meu corpo esta bonito!
7. Posso entrar em qualquer loja de roupas sem ser olhada com espanto pelas vendedoras. Elas me atendem normalmente e as roupas CABEM em mim, hehehehe!
8. Tô cheia de paqueras. Apesar de estar namorando, tem vários caras BONITOS afim de sair comigo. Ô coisa boa pro ego! hahahaha
9. Não tenho mais apelido de barril, sapo, baleia, etc... agora sou chamada de gata, gatinha, linda, princesa... bem melhor né? ;)
10. Como de tudo, até doce, e continuo emagrecendo! Não é ótimo??
 
Poderia ficar o dia todo aqui enumerando coisas, mas isso você vai descobrir por si mesma pois passará por tudo isso também. :)

 

- Você fez plástica? (Beth)
- Você pretende fazer plástica? (Lia)

Não fiz ainda pois tenho pouco tempo de operada. Teria que esperar pelo menos um ano e meio. Gostaria de fazer plástica no quadril. Sempre tive quadril largo e tem muita coisa que pode ser tirada aqui. O negócio é ter $$tempo$$, hehehe...

- Como é a sua cicatriz? Tenho medo de ficar com uma cicatriz imensa... (Michele)

Eu operei por videolaparascopia. A cicatriz só fica grande quando você faz a cirurgia aberta. Aí é um corte vertical de 10 a 15 cm que vai do umbigo até abaixo dos seios. Eu tenho 6 pequenas cicatrizes na barriga. 5 medindo 1 cm e uma medindo 2 cm +/-. São meus motivos de orgulho. Não me importo se olham ou perguntam algo sobre elas. Uso biquíni e blusinhas q deixam a barriga de fora. Pra ser sincera, tenho muito mais vergonha das estrias...

- Você gosta de se pesar? (Clara)

Gosto. Desde que operei tenho tido uma certa simpatia pelas balanças (risos). Se antes fingia que não via as balanças de farmácias e alguns supermercados, hoje em dia faço questão de subir nelas e verificar o meu emagrecimento.

- Você usa biquíni? (Hilda)

Uso. Já usava antes de operar mas somente em casa, na frente dos meus familiares. Demorei muito para inserir o biquíni na minha vida. Hoje em dia faço questão de usá-lo, seja na praia ou em casa. Acho que cansei de ter barriga branca.

- Qual é a sensação de subir na balança e se ver bem mais magra? (Francine)

No início é ótimo. Depois você fica se cobrando, querendo emagrecer cada vez mais. Torna-se um vício e precisamos controlar essa ansiedade de querer tudo na hora. A sensação mais gostosa que senti foi quando saí da casa dos 70 e entrei na casa dos 60. Foi mais gostosa até do que a de ter entrado na casa dos 50. Talvez porque tenha visto o ponteirinho da balança por muito tempo na minha vida acima de 70.

- Você ainda está perdendo peso? (Lúcia)

Estou. Mas bem mais lento. As vezes fico em um platô irritante, e isso me desanima. Então eu abandono a balança por algum tempo, finjo que ela não existe.

- O que a sua família acha de tudo o que você fez? (Ana Christina)

No princípio tinham medo. Meu irmão sempre achou desnecessário, ele acha esse método radical, prefere a dieta. Meu pai tinha medo que acontecesse alguma coisa comigo. Minha mãe é desencarnada (falecida), mas sei que teria me dado força. De onde ela estiver, sei que me dá muito apoio. Hoje em dia eles curtem muito. Brincam comigo, me chamam de magrinha, meu pai diz que as vezes não me reconhece, que me preferia gorda (risos). Lógico que ele brinca, pois se orgulha de ver a filha bem, saudável e bonita. Meus outros familiares sempre me apoiaram e adoram acompanhar a minha mudança.

- Como é a reação das pessoas que não te vêem a muito tempo? (Beth)

Engraçadíssima! Geralmente não me reconhecem. Me olham como se nunca tivessem me visto. Depois me abraçam, riem contentes, me enchem de perguntas e me parabenizam. Meus amigos, em especial, se divertem! Ficam me olhando sem parar e não poupam elogios. Estão muito felizes por mim.

- O que você come quando vai em um restaurante? (Gustavo)

Qualquer coisa, em pouca quantidade. Em um restaurante a quilo, não como mais que 230 gr. E já é muito! (risos).

- Você faz exercícios físicos (academia) ? (Mércia)
 
Não. Eu nado quase todos os dias e caminho com meu cachorro ou sozinha ou com meu namorado, etc. Não fiz academia ate hoje porque to com uma hérnia do lado esquerdo, e meu medico me proibiu de pegar pesado. Mesmo assim, eu abuso e nado...hehehe. Devo operar essa hérnia em julho, quando farei minha cirurgia de vesícula . Aí vou pra academia!

- Como foi a sua adaptação apos a cirurgia em relação ao trabalho x alimentação ? (Ramon)

A alimentação foi ficando normal com o passar do tempo. No inicio era difícil pq eu comia muito pouco e vomitava muito. Tinha q levar comida de casa. Hoje em dia como fora, como de tudo, como besteiras, como coisa nutritiva, tá tudo normalizado já. No inicio você tem q se adaptar. Leve uma marmitinha pro trabalho com a quantidade q você pode comer e a comida que estará no cardápio passado pela nutricionista. Depois, você poderá voltar a sua rotina normal.

- Você por favor, poderia me ajudar (...) me dizendo como é hoje em dia a sua alimentação, desde o café da manhã até o jantar, principalmente com relação ás quantidades??? (Raquel)

Claro que posso te ajudar, não tem o menor problema. Só q meus horários são totalmente desregulados. Não tenho horário pra comer e as vezes fico sem tomar café da manha ou sem almoço ou sem janta... é uma zona!! E bebo água o dia inteiro. As vezes bebo 500 ml de uma só vez, mas lentamente. É muito importante deixar o corpo hidratado.
 
 Café da manhã  Ou 1 pão francês ou 2 fatias de pão de forma sem casca, com: ou manteiga e queijo ou pasta de atum ou patê ou manteiga e presunto...café com leite com adoçante ou refresco (limão, tangerina, maracujá..). Nunca bebo um copo inteiro de leite. É sempre 3 dedinhos ou até menos. Só pra molhar a boca. Mas refresco bebo um pouco mais. Geralmente é 100 ml.
 Almoço Como qualquer coisa. Macarrão, arroz, batata-frita, carne, frango, strogonoff, feijão... tudo. Mas minha quantidade é sempre pouca. Não chego a comer mais de 200 gr. A media deve ser 150 gr, por ai. Medidas: 2 colheres de sopa de arroz, 1 ou 2 colheres de sopa de acompanhamentos. Depende da variedade de comidas que ha pra por no prato. Sempre procuro não exagerar.
 Lanche
 Nas raras vezes que lancho, é biscoito ou o mesmo que o café da manhã. Gosto de comer pão de forma com patê e refresco. Bebo muito refresco durante o dia. E muita água também.
 Janta  o mesmo do almoço ou um sanduíche, que acho mais leve pra esse horário.
 
 OBS: Não utilize esta tabela como referência para você! Consulte a sua NUTRICIONISTA e o seu MÉDICO!
 
 
- Você não ficou flácida????? (Ana Paula)
 
Tenho gordura localizada na barriga e quadril que só vão sair com lipoaspiração ou se eu emagrecesse exageradamente, o que não vai ocorrer. Mas só posso pensar nisso 1 ano e meio apos a cirurgia, ou seja, a partir de setembro de 2004. Então, ainda não caiu nada, hehe, porque tenho gordura no corpo a perder. No braço, tem pele sobrando. Pernas também sei que darão trabalho a mim pq tenho muita coxa. Acredito que ficarão flácidas sim, quando todo excesso de gordura for embora. Vale lembrar que o tipo de pele ajuda. Minha pele tem uma ótima elasticidade. Talvez, por isso, eu não tenha ficado tão flácida quanto alguns ex-obesos mórbidos.

- Estou me preparando para a cirurgia. Só que meu convênio ainda não liberou. Com você foi difícil? (Márcia)

Sobre o meu convenio (Sulamérica), eles me enrolaram até o dia da operação! Fiquei super estressada. Só faltava a liberação do material cirúrgico. Aí tive q dar um cheque calção pro hospital pra poder operar no dia marcado. Mas dois dias depois tava tudo resolvido. Eles sempre enrolam a gente...
 

- Gostaria de saber se nosso organismo absorve a vitamina B6 ou não. Será que poderei tomar em comprimido no lugar de injeções? (Cristina)

Meu médico me disse que sim, nosso organismo absorve a vitamina. No meu caso, tenho problema com anemia desde criança. Então foi necessário tomar a injeção pois a dose é bem mais forte e vai direto pro sangue. O Noriporum não adiantou pra mim. Mas eu me dou bem com a injeção, não sinto dor e é só uma vez por mês. Acho que não há problema em você tomar o remédio, porém, consulte o seu médico antes de qualquer decisão. É ele quem deve te orientar sobre isso. No exame de sangue , se sua taxa de ferro estiver normal, não há necessidade da injeção. Se estiver baixa, provavelmente o médico recomendará a injeção, ao menos por um tempo.

- Foi difícil a cirurgia? (Gabriel)

É uma cirurgia de grande porte e o risco é igual a qualquer outra cirurgia séria. Eu entrei na sala de cirurgia e apaguei após a anestesia geral. Acordei no CTI meio "grog" (CTI pós-operatório. É de praxe ser levado pra lá por precaução), dormi outra vez. Acordei pela segunda vez já normal. Não senti dor nenhuma. Estava normal, só q cheia de fios monitorando meu corpo, hehehe... tive que ficar no CTI por causa de uma febre que meu médico não sabia de onde vinha. Depois ele descobriu que era uma infecção urinária. Fui pra casa 8 dias depois. Me sentia ótima! Minha cirurgia demorou um pouco porque parece que houve um excesso de CO2 na minha barriga (eles colocam CO2 pra barriga inflar e poder operar) e eles tiveram que ser mais delicados. No mais, estou viva e bem de saúde ;)

- Como você passou depois que você fez a cirurgia? Estou realmente interessado em fazer mas ao mesmo tempo com muito medo. (Gabriel)

Minha recuperação foi difícil nos primeiros meses porque fiquei anêmica. Fiquei muito fraca e foram 3 meses pra voltar as atividades normais. Mas olha, isso não acontece com todos não! Geralmente a recuperação é super tranqüila, sem dores ou outros problemas. Mas como eu sempre tive problemas com anemia...
Nunca senti dor na cirurgia, nem nos cortes... meu intestino estabilizou rapidamente. Eu vomitava muito. Então fiz exames e constatou-se que estava tudo normal dentro de mim. Eu é que não estava sabendo comer. Comia rápido e exagerava na quantidade. Hoje estou normal, como de tudo, só que em pouca quantidade. Faço tudo o que fazia antes. Nada anormal.

-  Tem como se arrepender de ter feito essa cirurgia? (Maria Fernanda)

Ter, sempre tem, né. Dependerá do que acontecer no pós-operatório de cada um. Cada pessoa pensa de um jeito, encara a vida de uma maneira. No meu caso não há o menor arrependimento. Só digo uma coisa: pra operar tem que ter estrutura psicológica. Muita gente acha que é fácil, que é a "solução mágica", o método "prático". Quem fala isso é porque nunca leu nada a respeito do assunto, além de não ter passado pela experiência. A gastroplastia não é uma brincadeira e não há nada de fácil no emagrecimento. Inclusive somos obrigados a abolir certos alimentos por um bom tempo, como em uma dieta normal. Só que o tamanho do estômago ajuda. O desvio do intestino também. Tem que se pensar MUITO antes de fazer.

- Luly, valeu a pena ter operado? Ou teria sido melhor fazer uma dieta? (Patrícia)

COM CERTEZA!! Valeu MUITO a pena! Dietas eu fiz a minha vida inteira. Cheguei a emagrecer bastante. Mas engordei tudo outra vez. Com o peso que eu estava e a idade que tenho, as probabilidades de emagrecimento seriam mínimas. Fiz a melhor escolha e não me arrependo de nada agora.

- Você sentiu alguma dor na cirurgia? (Alexandre)

Nenhuma! Da operação não. Os meus cortes são pequenos. Não senti nada mesmo. Nem a anestesia raque, que todo mundo reclama que dói eu senti...

- O que mudou no comportamento das pessoas (sociedade) em relação a você? (Maria Rita)

Várias coisas. Mas o que ficou mais evidente pra mim foi a maneira de me olhar. Antes eu sentia aquele olhar de reprimenda, como se eu estivesse fazendo algo errado só pelo fato de ser obesa. Hoje me olham naturalmente. É diferente. Não é mais aquele olhar de censura. Inclusive quando resolvo sair pela rua comendo pão de queijo ou um picolé. Eu não fazia isso antes pois tinha vergonha e medo de ouvir piadinhas de mau gosto. Hoje em dia faço numa boa como qualquer pessoa e ninguém me olha de forma estranha.

- Vou operar no dia 01/04/2004, tenho 1,58 e 104KG, gostaria de saber se tinha certeza do que queria ou se estava na duvida???? (Priscila)

Não cheguei a ter dúvida não. O que senti foi MEDO. Medo de morrer, medo de ter dumping e não poder mais comer doces, medo de ficar careca por causa da queda de cabelos, medo de não me adaptar, medo de sentir dor... enfim! Medo de sofrer. Sabe quando meu medo aumentou e tive vontade de sair correndo e jogar tudo pro alto? Quando me despedi do meu pai na porta do centro cirúrgico e o maqueiro entrou comigo, empurrando a minha maca. Fiquei apavorada! hahahaha! Na sala de cirurgia eu tremia muito. Queria chorar! Mas a equipe era maravilhosa, descontraída, me trataram com muito carinho, me faziam rir. Depois dormi e acordei operada já. Mas eu tinha certeza de que era aquilo que eu queria desde o princípio. E fiz bem em ter operado. Muito bem!

- O que você aconselharia a quem está com intenção de fazer a gastroplastia? (Paulo César)

1. Se informar sobre TUDO a respeito da cirurgia (riscos, pós-operatório, vitaminas, queda de cabelos...).
2. Se consultar com vários cirurgiões para poder escolher aquele com quem você mais tem empatia.
3. Conversar com pessoas que já operaram e perguntar tudo à elas.
4. Ter certeza absoluta do que quer para não se arrepender depois. É via única... operou, não tem jeito de reverter (só se for Banda ou Scopinaro).
5. JAMAIS operar com dúvidas!

- Em algum momento você se arrependeu de ter operado? (Julianne)

Sim... nos primeiros 45 dias após a cirurgia. Eu fiquei muito mal por causa da anemia e outras coisinhas (infecção urinária, tosse, fraqueza...). Cheguei a pensar: "Que foi que eu fiz??". Mas sei que aquilo que passei foi uma experiência que só me fez dar mais valor ainda ao que eu consegui hoje. Hoje não me arrependo de nada. E faria outra vez, mesmo tendo que passar novamente pelo "Inferno"...

- Dizem que com o desvio do intestino a absorção dos remédios fica prejudicada. É verdade isso? (Letícia)

 Não é verdade. Os remédios fazem o mesmo efeito de antes. A parte onde é feita a absorção dos remédios não é alterada.

- Você toma pílula anticoncepcional? Ela faz efeito após a cirurgia? (Letícia)

 Sim para as duas perguntas. Eu tomo pílula. Ela faz efeito sim. A resposta desta pergunta é a mesma a respeito dos remédios. Consultei meu medico a esse respeito.

OBS: Não estou mais respondendo perguntas pelo site pois eram muitas e eu não tenho tempo para atualizar o site toda hora.

 

 


ANTES E DEPOIS

VÁRIAS FASES DO EMAGRECIMENTO

ANTES E DEPOIS

 

ANTES 

5 MESES DEPOIS

   
 
   
   

 ANTES     

9 MESES DEPOIS

   
   

                                              ANTES

         10 MESES DEPOIS
   
ANTES 1 ANO DEPOIS
   
   

 

 

 

 

 

OTOS

E depois da gastroplastia? Como fica a pele? Ela volta a aderir? Será necessário fazer plástica? Quais os lugares do corpo em que a pele fica mais flácida? É possível a retirada das cicatrizes da gastroplastia através de uma plástica? Essa e muitas outras dúvidas serão respondidas aqui.

Leia mais

 

Tire as suas dúvidas sobre o Antes, o Durante e o Depois da cirurgia.
Veja as fotos e o  relato sobre uma  gastroplastia feita através da cirurgia por vídeo.  
Existem várias técnicas para se fazer a cirurgia de redução de estômago...
A gastroplastia é uma cirurgia delicada , indicada somente pessoas com um alto grau de obesidade , chamada obesidade mórbida. Indivíduos com obesidade mórbida possuem IMC (índice de massa corporal) igual ou acima de 40. Calcule o seu IMC  e veja se você é um candidato à cirurgia.
Procure o seu cirurgião. Mais de 60 cirurgiões cadastrados de vários estados brasileiros.

Queda de cabelo? Calma! Você não vai ficar careca, mas seu cabelo poderá cair muito. O desvio do intestino ajuda muito no processo de emagrecimento. Mas a má absorção de proteínas e vitaminas é a grande causadora da queda de cabelos em pessoas que já operaram. Leia mais ..